Fiúza vê volta da CPMF como 'pixuleco oficial'

Para o jornalista Guilherme Fiúza, a volta do CPMF não se destina a cobrir rombos do orçamento ou a financiar gastos com Saúde; sua tese é que o novo imposto, criado no governo FHC e abolido em 1997, será usado para "pagar pxuleco"; ou seja, discurso anticorrupção será usado para inviabilizar o equilíbrio das contas públicas

Para o jornalista Guilherme Fiúza, a volta do CPMF não se destina a cobrir rombos do orçamento ou a financiar gastos com Saúde; sua tese é que o novo imposto, criado no governo FHC e abolido em 1997, será usado para "pagar pxuleco"; ou seja, discurso anticorrupção será usado para inviabilizar o equilíbrio das contas públicas
Para o jornalista Guilherme Fiúza, a volta do CPMF não se destina a cobrir rombos do orçamento ou a financiar gastos com Saúde; sua tese é que o novo imposto, criado no governo FHC e abolido em 1997, será usado para "pagar pxuleco"; ou seja, discurso anticorrupção será usado para inviabilizar o equilíbrio das contas públicas (Foto: Leonardo Attuch)


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247 – O discurso anticorrupção será usado para inviabilizar o equilíbrio das contas públicas. O primeiro sinal veio da coluna do jornalista Guilherme Fiúza, publicada no jornal O Globo. Segundo ele, a volta do CPMF não se destina a cobrir rombos do orçamento ou a financiar gastos com Saúde. Sua tese é que o novo imposto, criado no governo FHC e abolido em 1997, será usado para "pagar pxuleco". Confira abaixo:

CPMF, o pixuleco oficial

Os companheiros agradecem as boas maneiras, e partem desinibidos para novos saques

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Dilma foi barrada no Palácio. A presidente vinha andando pelos salões da sede do governo federal quando um funcionário abriu os braços e impediu a passagem dela. O episódio se deu no momento em que vazava o plano do governo petista de recriar a CPMF. Foi como se o funcionário do Palácio tomasse a frente de um país abobado, prestes a levar calado mais uma facada dos companheiros, e dissesse a Dilma: “Não, minha senhora. CPMF é demais. Daqui a senhora não vai passar”.

A expressão ultrajada da presidente foi captada pelo fotógrafo Orlando Brito — no momento em que o chefe interino do Cerimonial do Planalto, Fernando Igreja, se punha no caminho dela, deixando passar apenas os atletas dos Jogos Parapan-Americanos que visitavam o Planalto. Nenhuma explicação factual para o acontecimento patético será tão precisa quanto o grito simbólico da cena: Dilma foi barrada no Palácio porque não devia mais estar lá.

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A representante legal do maior projeto de pilhagem da História do país ainda respira por aparelhos porque, no quesito aparelhagem, seu partido é bom. Não é para qualquer um ter advogados de estimação na Corte Suprema, nem um procurador-geral da República para chamar de seu. Nas listas de Janot, o petrolão parece um desastre natural, uma nevasca de propinas que se abateu sobre os políticos brasileiros. Olhando, ninguém diz que é um esquema montado pelo estado-maior petista para roubar a Petrobras em favor do partido governante. Sabatinado no Senado, Rodrigo Janot disse que pau que bate em Chico, bate em Francisco. Só não bate em Dilma — porque em mulher sapiens não se bate nem com uma franja.

A presidente já foi citada mais de uma dezena de vezes na Lava-Jato, que produziu uma nevasca de evidências do financiamento eleitoral dela com dinheiro sujo de petróleo. Os tesoureiros petistas, entre delatados, denunciados, condenados e presos, já entraram para o anedotário como a profissão mais perigosa do mundo — anedota que só tem graça para os milionários com estrelinha na lapela. Enquanto o crime de responsabilidade dormita no TCU, com a tropa do cheque pedalando as pedaladas fiscais, o bom entendedor, e também o nem tão bom, já viu que o governo do PT montou um sistema de assalto ao dinheiro do povo — o que talvez explique o seu título de governo popular. E o impeachment, misteriosamente, continua sendo pronunciado como palavrão em convento.

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Os companheiros agradecem as boas maneiras, e partem desinibidos para novos saques. E bota desinibição nisso: no momento em que o país entra oficialmente em recessão, com um rombo recorde de R$ 10 bilhões nas contas públicas em julho — joias de uma década de pilhagem —, os oprimidos profissionais tiram da cartola a ressurreição da CPMF. Já que você não quer falar em impeachment, querido contribuinte, vai passar a pagar pixuleco também. Mas não se preocupe: é pixuleco oficial, contabilizado, tudo certinho. Você nem vai precisar apertar a mão do companheiro Vaccari.

Para um governo tão preocupado com o povo, que chega a destruir o setor elétrico para fingir que a conta de luz é barata, recriar a famigerada CPMF é o sinal definitivo do desespero. Estão raspando o tacho. Até Delfim Netto, o oráculo do Lula, resolveu fazer o boletim de ocorrência do desastre financeiro. E note-se que Delfim foi aquele amigo das horas difíceis, sempre com um malabarismo teórico na ponta da língua para dizer que a administração petista ia muito bem, obrigado. Para Delfim Netto, desembarcar do seu doce teatro progressista, o brejo realmente deve ter alcançado a vaca.

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Mas, para um povo cordial e pacato, até o brejo é relativo. Daqui a pouco aparece um intelectual antenado para dizer que, se é para tombar no chão, melhor afundar... Ou então que o brejo já vinha se chegando há muito tempo, e a vaca só estava no lugar errado, na hora errada. Os respeitáveis economistas Mansueto Almeida, Marcos Lisboa e Samuel Pessoa, por exemplo — que não são malabaristas — escreveram que o tombo fiscal brasileiro tem pouco a ver com a era petista. Sugeriram inclusive que este signatário é maniqueísta e só pensa no PT. Seja como for, após 12 anos de déficits escondidos com maquiagem contábil, reaquecimento da inflação, derrubada dos investimentos graças ao sequestro do Estado pelo partido e, finalmente, uma recessão genuinamente petista, as ponderações do trio de notáveis são pura poesia para João Santana.

Melhor mesmo parar de pensar no PT. Vamos concentrar só no brejo. Mas se você acha, ainda assim, que pagar CPMF para financiar pixuleco é um pouco demais, faça como o chefe do cerimonial do Palácio: tome posição e diga àquela senhora que daqui ela não passa.

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Guilherme Fiuza é jornalista

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