Fernando Brito: Projeto de Bolsonaro é o retrocesso nacional

O jornalista Fernando Brito diz que Bolsonaro põe em prática um projeto de retrocesso nacional; demonstra que a resposta do seu governo, em política econômica, é a reforma da Previdência e a velha cartilha neoliberal, que empurra a economia para baixo.  

Fernando Brito: Projeto de Bolsonaro é o retrocesso nacional
Fernando Brito: Projeto de Bolsonaro é o retrocesso nacional (Foto: REUTERS/Adriano Machado)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Tijolaço, por Fernando Brito - A justificativa da ditadura militar para a perda das liberdades públicas era o progresso do país, ainda que deformado e não distribuído.

Aliás, perda de liberdades que não impediu – nem o poderia – o Brasil de acompanhar as mudanças culturais do mundo no final dos anos 60 e nos 70.

Do ponto de vista econômico, porém, o regime de exceção do Brasil pós-golpe, agora "legitimado" pela eleição, em condições anormais – recordemos que havia um "cassado" que a venceria, se competisse – não tem o que a ditadura tinha: um projeto nacional que, certo ou errado, mirasse um Brasil desenvolvido.

continua após o anúncio

A menos, claro, que se considere o bloqueio das bananas equatorianos ou a venda de abacates aos argentinos como sinais de vitalidade da sétima ou oitava economia do mundo.

O "não-programa" econômico de Jair Bolsonaro -a expressao é do mestre Janio de Freitas – é, ao contrário, um projeto de retrocesso nacional. Fechar, desmontar, vender, no Governo Fernando Henrique, podem – apesar dos efeitos desastrosos de médio e longo prazo – ter significado o ingresso de capitais que ajudou a manter um ciclo de estabilidade monetária de certa duração, num país traumatizado há uma década pela explosão da inflação.

continua após o anúncio

Agora, nem isso, ou muito antes pelo contrário, pois todos os sinais são de um recrudescimento da inflação que, com a divulgação do IPCA de abril, nos deixará com um índice acumulado em 12 meses de 5%. Numa cesta de 34 países, abaixo, apenas, da Índia, da Rússia, da Turquia e da Argentina.

Destes, só os dois últimos não têm taxas expressivas de avanço do Produto Interno Bruto que compense a perda de poder de compra da moeda. No nosso caso, vamos "avançando" para uma expectativa de expansão do PIB perto do zero.

continua após o anúncio

A resposta do governo, em política econômica, não vai além do "paraíso" prometido da reforma previdenciária – que, independentemente de outras considerações – tira dinheiro do mercado e uma vaga liberação da burocracia para a implantação de uma "Lei de Murici", aquela onde cada um cuida – e improvisadamente – de si.

O resto é a cartilha neoliberal de empurrar a economia para baixo esperando que um "efeito-mola" faça a atividade econômica voltar a subir. O problema é que desde Joaquim Levy se está fazendo isso e empurrar para baixo agora é forçar o fundo do poço a baixar mais.

continua após o anúncio

O retrocesso político do Brasil, assim, vai tomando as feições também de um agravamento da crise econômica.

O "jingle" do título, contrariando a versão que nos apresentaram no "milagre brasileiro" cada vez mais se parece com a cantoria que percebemos na economia do país.

continua após o anúncio

Já não é só a perda das expectativas de progresso que nos animaram durante os dez anos entre 2004 e 2014. É a sensação de que o governo brinca com quinquilharias, enquanto a tempestade está se armando, e já bem perto.

Tijolaço

continua após o anúncio
continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247