Fernando Brito: Lula e o tempo que não se aprisiona e que não se vence
"Este domingo é daqueles dias em que o encontro de passado e do futuro se enlaça e explode com força do hoje. Lula, na prisão, tem uma paradoxal alegre festa de aniversário por todo o país", escreve o jornalista Fernando Brito
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Por Fernando Brito, no Tijolaço - Este domingo é daqueles dias em que o encontro de passado e do futuro se enlaça e explode com força do hoje.
Lula, na prisão, tem uma paradoxal alegre festa de aniversário por todo o país.
Os argentinos, enterrados numa crise, estendem a mão para trazer de volta o peronismo kirchnerista.
Os chilenos cantam nas ruas as músicas de seu sonho libertário dos anos 70, por bocas que nem haviam nascido, então.
Na Bolívia e no Equador, torrentes de indígenas se afirmam como donos do que donos são.
O que foi e o que será têm um tão improvável quanto inevitável encontro em dias assim, correntes de um oceano onde singram nossas pequenas vidas, por eles sacudidas em vales e cristas das ondas da História.
Não tivemos medo das tempestades quando jovens, porque os jovens são magnificamente temerários e a curiosidade é um desafio ao medo.
Estranhamente, também não temos, agora que velhos, porque o medo já é tão velho conhecido que suas caretas pouco nos assustam.
O que nos deu rumo aos 20, teimosia aos 40, agora, passados os 60, já não deixa mudar roda do leme para buscar porto seguro.
E então, no encontro das águas que se vão e das que se vêm, podemos flutuar, encantados pelo tempo que há de nos tragar em breve.
E como não é um ato individual, mas o resultado da sucessão de gerações que formam esta maravilha que se chama povo e que se chama humanidade, ver escrito o que nem lembramos de escrever, ainda que numa caixa de papelão, nas agitadas ruas do Chile, embora o lugarejo onde vivem chame-se La Serena, como a batizar a alma de “los abuelitos” Raúl e Silvia.
Cantando como cigarras cantam ao sol, depois de anos debaixo da terra.
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