Fernando Brito: governo faz uma passeata do capital, pela morte, com Bolsonaro
"Bolsonaro sequer se acanhou em dizer que vai retirar autoridade dos governadores definindo, por sua conta, tudo como sendo essencial", diz o jornalista Fernando Brito, do Tijolaço. "É a vergonha suprema para uma classe dirigente e um governo que desprezam o ser humano e uma vergonha, também, para o Supremo"
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Por Fernando Brito, do Tijolaço - Não demorou nem dois dias.
Bastou que os médicos e os cientistas alertassem para a necessidade de aumentar o distanciamento social e de apelar, em alguns centros, ao lockdown para evitar um massacre maior e o capital, descaradamente, sai em marcha, com Jair Bolsonaro à frente, para imprensar o Judiciário para que não permita que governadores e prefeitos tomem medidas protetivas para a população.
Sob a batuta de Marco Polo de Mello Lopes, representante das siderúrgicas, foram dizer que, embora ninguém esteja os impedindo de funcionar, a queda da demanda está fazendo com que suas vendas e a produção caiam.
Ora, então o que querem não é permissão – que nunca deixaram de ter – para trabalhar, mas que todo o comércio abra, para que possam – ou pensem que podem – voltar a venderem o que produzem.
As pessoas morrem com isso? Sim, e daí.
Bolsonaro sequer se acanhou em dizer que vai retirar autoridade dos governadores definindo, por sua conta, tudo como sendo essencial.
É a vergonha suprema para uma classe dirigente e um governo que desprezam o ser humano e uma vergonha, também, para o Supremo, ter um presidente que aceita ser atropelado por uma passeata do capital, com direito a transmissão ao vivo pelas redes bolsonaristas.
Alguém consegue imaginar Donald Trump acompanhado de um séquito de empresários ir abrir as portas da Corte Suprema?
A pressão é evidente e duvido que uma passeata de médicos ou de dirigentes de sindicato de trabalhadores fosse recebida assim, de supetão e com transmissão ao vivo.
O empresariado brasileiro e o governo de nosso país, ao ignorar e subverter as orientações sanitárias em nome dos lucros – todos ele têm montanhas de dinheiro, ao contrário do povo – mas não conseguem, por dias que sejam, conter seus apetites de lucro.
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