Em editorial, Estado detona o obscurantismo do chanceler Ernesto Araújo

Em editorial da edição desta segunda-feira (7), o jornal O Estado de S.Paulo submete a crítica demolidora o discurso de posse do novo chanceler brasileiro, Ernesto Araújo. Em uma só palavra o jornal define os desvarios do chefe do Itamaraty do governo Bolsonaro: "Obscurantismo". E interpreta o sentimento que toma conta de toda a nação ante os despautérios do diplomata: "O sentimento suscitado pelo chanceler Ernesto Araújo em seu discurso de posse não é outro senão de apreensão"

Em editorial, Estado detona o obscurantismo do chanceler Ernesto Araújo
Em editorial, Estado detona o obscurantismo do chanceler Ernesto Araújo (Foto: Fábio Pozzebom / Agência Brasil)


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247 - Em editorial da edição desta segunda-feira (7), o jornal O Estado de S.Paulo submete a crítica demolidora o discurso de posse do novo chanceler brasileiro, Ernesto Araújo. Em uma só palavra o jornal define os desvarios do chefe do Itamaraty do governo Bolsonaro: "Obscurantismo". E interpreta o sentimento que toma conta de toda a nação ante os despautérios do diplomata: "O sentimento suscitado pelo chanceler Ernesto Araújo em seu discurso de posse não é outro senão de apreensão".

"Está-se diante de algo mais profundo do que a mudança de algumas diretrizes que pautam nossas relações externas. Estão sob ataque valores que têm sido o esteio do posicionamento do Brasil no mundo há sucessivas gerações", diz o jornal.

Em termos fortes, o editorial faz tábula rasa do discurso do novo chanceler: "Do que se ouviu durante exasperantes 32 minutos de uma fala obscura, empetecada por suposta erudição e eivada de revanchismo e fundamentalismo religioso, nada há de inspirador".

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A crítica aponta o "gravíssimo erro" do novo chefe da diplomacia: "ignorar deliberadamente que a tradição diplomática do País foi construída muito antes da ascensão do PT ao poder e, uma vez cassada a presidente Dilma Rousseff, tal tradição – baseada no multilateralismo, no princípio da não ingerência e no respeito aos tratados e leis internacionais – em boa hora foi retomada pelo governo de Michel Temer. Logo, não há que se falar em "libertação" do Itamaraty do jugo esquerdista. Isso já havia ficado para trás".

O texto deixa claro quais são os verdadeiros interesses que o novo chanceler defende: "O ministro fez questão de deixar clara sua reverência ao presidente Donald Trump, um dos mais ferrenhos críticos do tal 'globalismo'. Para Araújo, o presidente dos Estados Unidos é nada menos do que o redentor da cultura ocidental e dos valores judaico-cristãos, que, em sua visão, devem pautar as relações externas do País a partir de agora" (...) "O alinhamento automático, nas condições descritas, põe o Brasil como foco da chacota internacional, no melhor cenário, ou sob risco de perder significativos mercados, no pior".

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