El País: prisão de suspeitos da morte de Marielle aumenta pressão para descobrir mandantes
Para o jornal espanhol El País, a prisão dos dois suspeitos de participarem das execuções da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes deverá ampliar a pressão para que a polícia chegue aos mandantes do crime; jornal também destaca a atuação da vereadora e a suspeita do envolvimento de políticos no crime ocorrido há quase um ano; para o El País," os desencontros políticos mostram que as questões que rondam o caso, que promete levar brasileiros às ruas na quinta no primeiro ano do crime, ainda são muitas"
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247 - A prisão dos dois suspeitos de participarem das execuções da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, ocorridas há quase um ano no Rio de Janeiro, deverá ampliar a pressão para que a polícia desvende as reais motivações do duplo homicídio e chegue aos mandantes do crime. De acordo com a edição em português do jornal El País, as prisões do sargento reformado da Polícia Militar Ronie Lessa e de um outro ex-pm, Elcio Vieira de Queiroz, "devem servir para dar continuidade a uma investigação que, nas palavras de Geniton Lages, chefe da DH [Delegacia de Homicídios], ainda não terminou".
O texto ressalta que as investigações do caso Marielle acabou por revelar a existência do chamado "Escritório do Crime", um "poderoso grupo miliciano de Rio das Pedras que atua sob encomenda". "O caso ganhou ainda mais voltagem política com a divulgação de que Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, mãe e mulher de Adriano, respectivamente, estavam lotadas no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio até o segundo semestre de 2018", diz a reportagem em seguida.
No ano passado, o ex-ministro da Segurança Pública Raul Jungmann já havia ressaltado que '"políticos poderosos" estavam envolvidos na morte da vereadora', diz o El País. "Em agosto do ano passado, o então deputado estadual Marcelo Freixo cobrou uma investigação sobre um possível envolvimento de ex-deputados do MDB no crime, que estaria alinhado à atuação firme do PSOL durante o processo que os afastou da Assembleia Legislativa do Rio (ALERJ) e resultou na prisão deles. Os parlamentares são Edson Albertassi, Paulo Melo e Jorge Picciani, este último um dos principais caciques do partido no Estado e ex-presidente da ALERJ. Até agora, nenhuma palavra das autoridades aventa um possível envolvimento da cúpula do MDB fluminense", observa a reportagem. Um outro político investigado pela suspeita de participação no crime é o "também vereador Marcello Sicialiano", diz ainda o jornal.
"Também já se sabe que o sargento reformado Ronnie Lessa é morador do condomínio Vivendas da Barra, onde também morava o presidente Bolsonaro e seu filho Carlos. Os investigadores descartam, por ora, qualquer relação entre os Bolsonaro e Lessa. "Não detectamos uma relação direta com a família Bolsonaro", destacou Lages. Questionado, reconheceu que a filha de Ronnie Lessa namorou um dos filhos do presidente. "Isso tem [namoro entre os dois], mas isso, para nós, hoje, não importou na motivação delitiva. O fato dele morar no condomínio do Bolsonaro não nos diz nada, isso será confrontado no momento oportuno. Não é importante para esse momento", disse o delegado Geniton Lages.
Por fim, o jornal destaca que "esses desencontros políticos mostram que as questões que rondam o caso, que promete levar brasileiros às ruas na quinta no primeiro ano do crime, ainda são muitas. As respostas, insuficientes".
Leia a íntegra da reportagem.
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