À tarde, outra, o tal “painel do impeachment”, algo absolutamente normal se montado em qualquer lugar público e totalmente intolerável dentro do Salão Verde da Câmara, onde jamais foram permitidas manifestações, até pela razão óbvia de que há manifestações contra e a favor a uma infinidade de coisas em discussão no Parlamento e não haveria como permitir que cada um que desejasse montasse ali um painel imenso, ou estendesse faixas, ou berrassem ao megafone.
Mas, como era contra Dilma, Cunha deixou e, claro, os contra o impeachment foram lá acabar com a provocação.
Agora há pouco, veio o contraponto da baderna oportunista que Cunha ajudou a montar na Câmara.
Um rapaz, Tiago Ferreira, de 26 anos, jogou sobre ele réplicas de notas de 100 dólares com o retrato do próprio Cunha no lugar do coitado do Benjamin Franklin.
É evidente que ele tem que responder pela provocação, mas só ele, enquanto os provocadores da direita ganham crachá e lanche para chamar de criminosa a Presidenta da República, eleita pelo voto popular?
Não há condições de o Parlamento funcionar desta maneira, que nada tem a ver com o legítimo direito de manifestação.
Mas que dizer de um parlamento que tem seu presidente flagrado com depósitos secretos no exterior, e nada acontece, senão um suposto processo na Comissão de Ética que – hoje, de novo – teve seu início adiado?
As campanhas eleitorais movidas a dinheiro nos levaram a isso, a uma representação parlamentar que, em boa parte, é uma mixórdia e, neste clima de colegiais baderneiros inviabiliza qualquer das decisões urgentes de que o país precisa.
Há 50 anos, Brizola foi atacado por chamar de “clube amável da política” uma parlamento que ficava de “vossa excelência pra cá, vossa excelência pra lá enquanto o povo ardia em seus problemas”.
Agora, nem mais clube amável é, virou briga de moleques.
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