Dilma denuncia erro crasso de coerência textual por parte de procuradoria. 'Isso não é sério', disse a ex-presidenta

A ex-presidenta Dilma Rousseff desmascarou um procurador e sua pergunta formulada de maneira precária em plena audiência por vídeo conferência. Dilma falou como testemunha arrolada pela defesa do ex-presidente Lula. O procurador perguntou se Dilma testemunhara uma negociação da qual ela não fez parte, um erro crasso de coerência

(Foto: Leonardo Contursi/CMPA)


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247 - A ex-presidenta Dilma Rousseff desmascarou um procurador e sua pergunta formulada de maneira precária em plena audiência por vídeo conferência. Dilma falou como testemunha arrolada pela defesa do ex-presidente Lula. O procurador perguntou se Dilma testemunhara uma negociação da qual ela não fez parte, um erro crasso de coerência. 

A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo relata o episódio, narrando que Dilma "reagiu em ‘protesto’ a uma pergunta da Procuradoria durante audiência na Justiça Federal de Brasília nesta quinta, 25. Testemunha arrolada pela defesa do ex-presidente Lula, a petista disse ao procurador: “O sr desculpa, mas isso não é sério.” Depois, dirigindo-se ao juiz Vallisney Oliveira, que presidia a audiência, a petista queixou-se. “Eu não concordo, estou protestando e peço para que o sr redija isso. É um desrespeito a mim.”

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Veja um trecho da video conferência em que Dilma reage a amadorismo de procurador:

Leia trecho do depoimento: 

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Procurador: Eu gostaria de fazer uma pequena explanação acerca da acusação, pelo menos tal como a vemos, para poder partir para as perguntas. A acusação ela, neste momento, embora exista um número de réus maior, ela trata… o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Paulo Bernardo e ela fala sobre solicitação e o tipo do crime é solicitar e receber vantagem indevida. Então, segundo a acusação, houve uma solicitação, e ela narra que também houve o recebimento de uma vantagem indevida por parte do ex-ministro Paulo Bernardo e que isso tinha ciência e contava com a adesão do ex-presidente Lula. Até aí vai a acusação. Digo isso para deixar claro que não estamos discutindo aqui e nem haveria por que discutir o mérito do modelo de financiamento ás exportações, o mérito do que foi adotado, quer no governo anterior, quer nos anos 70, 80, quer posteriormente a isso e também não está em discussão como foi feita a questão das grandes empresas nacionais e como elas participaram ou o que ocorreu com elas depois desse processo de combate à corrupção mais recente. Então, a acusação para na solicitação e recebimento de vantagem indevida. Exceto que a acusação narra que para viabilizar esses pagamentos, foi feito um ajuste que seriam aumentadas mais de uma linha de crédito ou linhas de crédito que foram feitas para a Angola, e aí estamos tratando em especial da linha 4 e também da linha 3, que foi feito, segundo o depoimento do senhor Marcelo Odebrecht. Essa solicitação de vantagem indevida teria sido feita pessoalmente pelo ex-ministro Paulo Bernardo ao senhor Marcelo Odebrecht. Esse acordo que elevou os valores da linha de crédito ocorreu em agosto de 2010, e a senhor já narrou que estava em campanha e portanto não estava acompanhando esse tipo de processo, mas essa solicitação certamente antecedeu a esse aumento da linha de crédito. Então, ocorreu antes. E aí vem a minha primeira pergunta: a senhora participava do dia a dia do ministério do Planejamento e teria como afirmar que o senhor Paulo Bernardo não teria recebido a sós numa reunião nas dependências do ministério com o senhor Marcelo Odebrecht?

Dilma: Como eu poderia afirmar alguma coisa se a sua premissa é que ele recebeu a sós? óbvio que eu não posso afirmar nada.

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Procurador: Pois é só essa a pergunta, se a senhora pode afirmar, porque o senhor Marcelo Odebrecht…

Dilma: Eu não vou afirmar nada, mas a pergunta eu quero registrar ao juiz que a pergunta é um absurdo. Ele me dá como uma pressuposição que havia um fato a sós e me pergunta se eu posso afirmar alguma coisa sobre um fato a sós. A resposta está na pergunta dele. Ele responde.

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Procurador: Na verdade, a senhora respondeu respondendo que a senhora não pode afirmar.

Dilma: Não, eu estou protestando contra a pergunta.

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Procurador: Mas a senhora respondeu dizendo que não pode afirmar.

Dilma: Eu não vou responder uma pergunta que tem o objetivo preciso de tentar confusão. O senhor desculpa mas isso não é sério. Eu não concordo, estou protestando e peço para que o senhor redija isso. É um desrespeito a mim.

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Procurador: A senhora está como testemunha.

Dilma: Eu posso ser testemunha mas continuo sendo cidadã.

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