Chomsky à BBC: “A ideologia de Trump é autoritária e perigosa”

O linguista, filósofo e pensador político estadunidense Noam Chomsky descreveu a ideologia do presidente dos EUA, Donald Trump, simplesmente como "eu", acrescentando que, embora não seja fascista, ainda é "profundamente autoritário e muito perigoso"

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chomsky (Foto: Giuliana Miranda)


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Do Portal Vermelho

O linguista, filósofo e pensador político estadunidense Noam Chomsky descreveu a ideologia do presidente dos EUA, Donald Trump, simplesmente como "eu", acrescentando que, embora não seja fascista, ainda é "profundamente autoritário e muito perigoso".

No entanto, não há outra opção aos olhos das pessoas, acrescentou Chomsky em sua entrevista à BBC.

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"Qual é a alternativa a Trump? Os democratas desistiram da classe trabalhadora há 40 anos. Não é seu círculo eleitoral, ninguém no sistema político é. Os republicanos afirmam ser, mas eles são basicamente os inimigos da classe. No entanto, eles podem apelar para as pessoas com base em reivindicações "Nós vamos ajudá-lo economicamente, mesmo quando você chutar na cara"?".

Em seu livro, Chomsky classificou o Partido Republicano como "a organização mais perigosa da Terra" e, quando lhe pediram para explicar, ele assinalou que se trata de algo que eles se recusam a admitir a existência.

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"Trump fará dano ao mundo, e já está acontecendo. O aspecto mais importante da eleição Trump não é apenas Trump em si, mas todo o Partido Republicano enquanto eles se afastam do resto do mundo no que tange à mudança climática, uma questão crucial, uma ameaça existencial", disse Chomsky.

Ele chamou a negação de "espetáculo espantoso", no qual "os EUA, sozinhos no mundo, não só se recusam a participar de esforços para lidar com a mudança climática, mas se dedicam a miná-los. E não é apenas Trump — cada líder republicano faz o mesmo e se preocupa apenas a níveis locais".

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E a opinião popular dos EUA não é exatamente de qualquer ajuda, de acordo com Chomsky.

"Aproximadamente 40% da população pensa que não é um problema porque Jesus vai chegar em um par de décadas".

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O Daesh (autodenominado Estado Islâmico) não é mais uma ameaça? Parece que sim, mas Chomsky não tem certeza disso.

"O Daesh está dedicado a destruir as perspectivas da existência humana organizada? O que significa dizer que não só não estamos fazendo nada sobre a mudança climática, mas estamos tentando acelerar a corrida para o precipício? Não importa se eles acreditam genuinamente ou não, se a consequência disso é 'vamos usar mais combustível fóssil, vamos recusar-se a subsidiar os países em desenvolvimento, vamos eliminar as regulamentações que reduzem as emissões de gases de efeito estufa' — se essa é a conseqüência, isso é extremamente perigoso".

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"A única ideologia de Trump é 'eu', não é [como] Hitler ou Mussolini, mas profundamente autoritário e muito perigoso", concluiu o filósofo.

O processo que está acontecendo nos EUA também é acompanhado por todo o mundo, Chomsky disse à BBC, devido a "um assalto massivo à grande parte da população, um ataque à democracia", que levou "não apenas a raiva, mas o desprezo para instituições centristas".

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"Uma grande parte da população sente que eles simplesmente não respondem a eles", e Chomsky enumera os resultados disso: Trump, Brexit, Le Pen.

No entanto, a vitória de Emmanuel Macron nas eleições presidenciais francesas "não é, de modo algum, o fim do populismo na Europa", disse ele. Na verdade, "Macron é um exemplo de populismo, porque ele veio do exterior, porque as instituições caíram. O voto para ele foi substancialmente o voto contra Le Pen".

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Por último, mas não menos importante, Chomsky comentou sobre o editor-chefe do Wikileaks, Julian Assange, chamando a sua perseguição e ameaças contra ele de "completamente errado."

"O que o mantém na prisão — e de fato está na prisão [escondido na embaixada equatoriana em Londres] — é a ameaça de que os Estados Unidos irão atrás dele. A mesma coisa que está mantendo [Edward] Snowden na Rússia. E ele tem razão em se preocupar com isso e é a ameaça que está errada".

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