Celso Rocha de Barros diz que Brasil virou uma república bananeira
Em sua coluna nesta segunda (15), Celso Rocha de Barros diz que Presidência foi roubada pelos derrotados em 2014 e aponta como Michel Temer e seus aliados usurparam o poder e mudaram o projeto de Brasil escolhido nas urnas: "A principal diferença do impeachment de Dilma para o impeachment de Collor foi essa: o poder não mudou só de mãos, mudou de lado. Quem perdeu a eleição ficou com a Presidência. Isso não é normal. Não é assim que uma democracia bem ordenada funciona", escreve
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247 - O sociólogo Celso Rocha de Barros mostra, em artigo publicado nesta segunda (15), a usurpação de poder e as incongruências de Michel Temer e do grupo que o sustenta no Planalto.
"Imagine o seguinte cenário: após o impeachment de Fernando Collor, Itamar Franco assume a presidência e afasta do governo todos os partidos de direita que apoiavam Collor. Depois de expulsar essa turma toda, Itamar monta um ministério só com PT, PDT e PCdoB, os derrotados na campanha presidencial de 1989, e começa a transição para o socialismo.
Trocando o sinal e descontando uns 30% de exagero inteiramente justificável, é isso que o Brasil vive desde que Temer assumiu a Presidência. Na última sexta-feira fez um ano desde que a turma que perdeu em 2014 começou seu "Grande Salto para a Frente".
A principal diferença do impeachment de Dilma para o impeachment de Collor foi essa: o poder não mudou só de mãos, mudou de lado. Quem perdeu a eleição ficou com a Presidência. Isso não é normal. Não é assim que uma democracia bem ordenada funciona.
Mesmo se nenhuma lei tiver sido violada, nossas instituições claramente pararam de funcionar como deveriam, e o Brasil hoje parece muito mais com uma República de Bananas do que parecia um ano atrás.
Isso continuará sendo verdade mesmo se a economia melhorar. O Brasil precisa reformar a Previdência, precisa conter gastos e talvez até precise flexibilizar a legislação trabalhista. Mas em uma democracia funcional nada disso seria negociado só entre o centrão e o empresariado.
(...)
E, por último, uma coisa eu garanto: se o governo Temer tivesse resultados para apresentar à população, a semana passada teria sido uma discussão sobre seu primeiro aniversário, não sobre Lula."
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