Câmara discute ‘Fundo de Financiamento da Democracia’

A primeira proposta a ser debatida na comissão sobre a reforma política da Câmara prevê a criação de uma novidade chamada “Fundo de Financiamento da Democracia” (FFD), que destina 2% da arrecadação líquida do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) aos partidos políticos, revela o jornalista Josias de Souza; a mordida equivale a cerca de R$ 3 bilhões anuais, mais de quatro vezes o atual Fundo Partidário; verba bancaria o funcionamento das legendas e a participação de cada uma delas nas campanhas eleitorais — de vereador a presidente

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247 - A Câmara vai instalar nesta terça sua comissão sobre a reforma política. A primeira proposta a ser debatida prevê a criação de uma novidade chama “Fundo de Financiamento da Democracia” (FFD), que destina 2% da arrecadação líquida do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) aos partidos políticos, revela o blog de Josias de Souza. Isso equivale a cerca de R$ 3 bilhões anuais, cifra que supera em mais de quatro vezes o atual Fundo Partidário, que custará R$ 724 milhões ao Tesouro Nacional em 2016. A verba bancaria o funcionamento das legendas e a participação de cada uma delas nas campanhas eleitorais —de vereador a presidente.

"O autor do projeto é o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG). Ele entregou cópias ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e ao colega Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), que presidirá a comissão. A íntegra pode ser lida aqui. Pestana levantou a contabilidade oficial das eleições municipais de 2012 (R$ 5,2 bilhões) e do pleito geral de 2014 (R$ 4,8 bilhões). Concluiu que R$ 10 bilhões são suficientes para financiar as eleições a cada quadriênio. Adicionou à cifra mais R$ 2 bilhões para manter as portas dos partidos abertas. E fechou a conta: R$ 12 bilhões a cada quatro anos —ou R$ 3 bilhões por ano.

A proposta prevê também que apenas os partidos com representação na Câmara terão acesso à verba pública, em montante proporcional ao tamanho de cada bancada. Legendas como o PSTU e o PCO, que hoje beliscam pedaços do Fundo Partidário mesmo sem eleger um mísero deputado federal, não beberiam na nova fonte. De resto, o texto criminaliza o caixa dois e impõe regras de transparência. Obriga os partidos a divulgar suas receitas e despesas na internet até 15 dias depois de cada lançamento. Determina que a aplicação do dinheiro será esmiuçada em planos anuais aprovados pelo diretório nacional de cada partido."

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