Brasil ainda não sabe o que esperar, diz Wilson Ramos Filho

O jurista Wilson Ramos Filho afirma que o Brasil sofreu uma ruptura gerencial e que as expectativas também estão 'interrompidas'; ele diz: "depois de 13 anos de um governo de centro-esquerda o Brasil sofreu um Golpe de Estado. Em pouco mais de dois anos os golpistas desconstruíram as políticas públicas do período anterior e pelo voto popular foi eleito um governo de Direita nas eleições de 2018"

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247 - O jurista Wilson Ramos Filho, o Xixo, especialista em Justiça do Trabalho, afirma que há um clima de 'não expectativa' no país. Ele afirma: "o país não sabe o que esperar. Ou melhor, cada grupo espera algo, não necessariamente o mesmo. Na campanha eleitoral os eleitos não se comprometeram com um programa de governo detalhado. De toda sorte, pesquisas de opinião demonstram que três em cada quatro brasileiros têm uma expectativa positiva, consideram que suas vidas irão melhorar."

O jurista prossegue, em longo ensaio publicado no Site esquerda.net: "não devem ser desconsiderados os alertas para certa banalização do termo 'fascismo' frequentes na imprensa ou mesmo nas discussões acadêmicas. De fato, nem todos os governos de Direita cabem no conceito majoritariamente aceito como identificador do fascismo. Por outro lado, à exceção do fascismo italiano, os demais Partidos e movimentos políticos, e mesmo regimes autoritários de Direita, raramente se reivindicam como fascistas."

E acrescenta: "é vasta a produção teórica sobre o tema. Correndo os riscos da simplificação, contudo, podem ser listadas algumas características do que sintetizaria a ideologia fascista, tendo em vista suas manifestações históricas ao longo do último século, principalmente tomando-se as experiências históricas havidas na Itália, ao final da Grande Guerra, e na Alemanha, uma década mais tarde. Dentre as principais características figuram:

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O antimarxismo;

A crítica ao status quo;

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A mobilização das massas, principalmente da juventude;

A identificação com um líder carismático, com um caudilho;

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A formação de falanges ou milícias ligadas ao Partido;

A crítica ao liberalismo, com a defesa do capitalismo;

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Coincidência da doutrina fascista com a do cristianismo;

O objetivo do totalitarismo;

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A ideia de nação, como princípio unificador."

Wilson Ramos Filho destaca o caráter negacionista destes tópicos caros ao fascismo tradicional que se desdobra, agora, em fascismo contemporâneo: "como se observa, antes que propositivas, quase todas as ideias em torno das quais se articulam os fascismos se fazem pela negação. Além disso, registre-se que em cada país, e em cada momento histórico, nem todos os fascismos apresentaram todas as características acima, e, em muitos deles, a elas foram adicionadas outras, diga-se, reivindicações mobilizadoras. Por fim, observe-se que nas experiências concretas o fascismo passou por distintas fases. Ou seja, dependendo do período histórico tomado como paradigma as conclusões podem ser diferentes."

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E acrescenta: "em todos os casos o fascismo não aparece desde logo como uma ideologia totalizadora pronta e acabada. Os regimes e as sociedades se fazem fascistas, constituem-se em processo. Cada fascismo se vai constituindo socialmente, ora em aliança com outros movimentos de Direita, ora deles se diferenciando, para disputar suas bases. Cada fascismo, assim, é a resultante de uma correlação de forças entre partidários do ideário da Direita em cada momento histórico. Considere-se, a respeito, que os fascismos que chegaram ao poder pelas urnas, na Itália e na Alemanha, vieram no bojo de alianças políticas pluripartidárias, ainda que sempre à direita. Somente depois de instalados no poder é que lograram estabelecer o unipartidarismo, característica não exclusiva da fascistização."

 

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