Bolsonaro coloca a imprensa, em especial a Folha, numa encruzilhada

Mais por método do que por loucura, como diz a jornalista Paula Cesarina Costa, ombudsman da Folha, o presidente eleito Jair Bolsonaro elegeu a imprensa como inimiga. O objetivo é ditar a agenda pública, numa comunicação direta com o público, assim com tem sido feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lá, jornais tradicionais, como New York Times e Washington Post, cresceram e essa parece ser a aposta da Folha, que aposta em campanha de assinaturas. A grande diferença é que, no Brasil, a mídia foi parceria do golpe que derrubou a presidente Dilma Rousseff e criou as condições para a ascensão do bolsonarismo

Bolsonaro coloca a imprensa, em especial a Folha, numa encruzilhada
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247 – A imprensa brasileira, em sua quase totalidade, apoiou o golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff e a campanha de ódio contra o ex-presidente Lula e o PT, que abriram espaço para a ascensão do bolsonarismo. Venceram? Só que não. Em apenas uma semana, Bolsonaro já deixou claro que a imprensa será tratada como inimiga, como informa jornalista Paula Cesarino Costa, ombudsman da Folha, em sua coluna.

"O comportamento de Jair Bolsonaro repete, em quase tudo, o roteiro da relação do presidente americano Donald Trump com a mídia. Em tuítes irônicos e provocativos, Trump se refere ao 'fracassado' New York Times e define a CNN como 'fake news bussiness'. Ambos são obsessões de Trump. As semelhanças são tantas que é possível imaginar que Bolsonaro esteja replicando Trump mais por método do que por loucura", diz ela. "A reação de Bolsonaro, em geral, não parece caso de destempero. É uma tática para mudar o eixo da discussão para a área que domina melhor: a da agressão verbal sem base na realidade factual."

Nos Estados Unidos, jornais tradicionais, como New York Times e Washington Post, cresceram na era Trump e essa parece ser a aposta da Folha, que aposta em campanha de assinaturas. A grande diferença é que, no Brasil, a mídia foi parceria do golpe que derrubou a presidente Dilma Rousseff e criou as condições para a ascensão do bolsonarismo. Ou seja: a Folha terá grande dificuldade em atrair um público progressista, com atesta a coluna do jornalista Gabriel Priolli.

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Em sua coluna, Paula Cesarino Costa relata crescimento de assinaturas, mas também admite a perda do apoio de leitores bolsonaristas. "Nas semanas anteriores ao segundo turno, a ombudsman recebeu um número notável de mensagens de leitores que acusavam a Folha de fazer campanha contra Bolsonaro. Vários diziam estar cancelando a assinatura do jornal. Muitos deles esclareciam que não eram eleitores do deputado. Os desvarios recentes e crescentes do presidente eleito inverteram o sinal. Espontaneamente as redes sociais passaram a registrar uma espécie de campanha de apoio à Folha", diz ela.

É preciso aguardar alguns anos para saber se o balanço do apoio ao golpe terá sido positivo para a mídia corporativa.

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