Boaventura: 'temo espiral de guerra após ataque a Bolsonaro'

O sociólogo português Boaventura de Souza Santos manifesta sua preocupação com a polarização da sociedade brasileira; ele diz que "o ataque à integridade física de um candidato é algo particularmente alarmante. Não só em si mesmo, mas também porque pode desencadear outros atos de violência, até de maior gravidade, em relação a outros candidatos"

Boaventura: 'temo espiral de guerra após ataque a Bolsonaro'
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247 - O sociólogo português Boaventura de Souza Santos manifesta sua preocupação com a polarização da sociedade brasileira. Ele diz que "o ataque à integridade física de um candidato é algo particularmente alarmante. Não só em si mesmo, mas também porque pode desencadear outros atos de violência, até de maior gravidade, em relação a outros candidatos".

O sociólogo deu uma entrevista à DW, publicada pela site Carta Maior - ele é professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal) e da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison (EUA). Boaventura detalha as ameaças que observa ao funcionamento pleno das instituições democráticas no país – desde a politização da Justiça até pressão do capital financeiro.

Sobre como interpretou o episódio 'Bolsonaro', ele diz: "com muita indignação, uma vez que alertei recentemente para os perigos de uma polarização descontrolada na sociedade brasileira. Cria-se um clima de ódio que torna impossível uma discussão serena dos argumentos. É algo que tem aumentado, e vejo isso com muita preocupação. O ataque à integridade física de um candidato é algo particularmente alarmante. Não só em si mesmo, porque esse tipo de ação não tem lugar na democracia e deve ser inequivocamente repudiada. Mas também porque pode desencadear outros atos de violência, até de maior gravidade, em relação a outros candidatos. Está registrado que esses fenômenos costumam ter sequelas, o que é perigoso para a democracia brasileira, em um momento de tanta fragilidade. Devido à miopia das elites políticas e judiciárias, o estresse das instituições foi elevado de tal maneira, que agora estão a mostrar dificuldade em reagir. Os demônios do populismo, da ação antidemocrática – seja pelo fascismo ou pela resposta violenta a ele – estão a ter um lugar que já não pensávamos ser possível no Brasil.

Boaventura também fala sobre a expressão 'colheu o que plantou', não raro aplicada ao episódio: "nenhum desatino de uma pessoa ou candidato, nesse caso, pode justificar um ato de ataque físico à sua integridade. Mas não restam dúvidas de que, se há alguém que tenha promovido o discurso de ódio e da violência nestas eleições, é justamente o Bolsonaro. Não pode ser aceitável que ele diga, publicamente, que é preciso metralhar os petistas, ou suas afirmações sexistas sobre os salários inferiores das mulheres. Isso é absolutamente repugnante e condenável. Vem numa trajetória que não é novidade, de um homem descontrolado, grosseiro e inculto. Quem semeia ventos colhe tempestades. Ele foi o grande promotor do ódio e das soluções violentas e acaba por ser vítima desse discurso. Obviamente, espero que ele se recupere e, a partir de agora, tenha mais cuidado com suas falas. Sobretudo, que seus apoiadores também se contenham e não entrem numa espiral de guerra, como parece ser o mais provável. Estou muito preocupado, e espero que esse clima de violência fique por aqui."


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