Bajonas: justiça de Moro é Cláudia Cruz inocentada e Marisa, nem depois de morta

"Marisa Letícia, submetida ao estresse extremo, sofreu um AVC e morreu. Os médicos são unânimes em que o ambiente de pressão, de perseguição e linchamento foi causa decisiva para essa morte. Mas, mesmo assim, Sérgio Moro não a absolveu. Os advogados pediram a absolvição dela após a morte. Mas ele não aceitou. Apenas decretou a “extinção da punibilidade”. Ou seja, manteve um espinho cravado sobre a alma dela, mesmo depois de morta. Perseguindo-a, com as fúrias da lei, mesmo no outro mundo. Mas e Claudia Cruz? Cláudia, foi absolvida", escreve Bajonas Teixeira

Cláudia Cruz e Sergio Moro
Cláudia Cruz e Sergio Moro (Foto: Giuliana Miranda)


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Por Bajonas Teixeira, no Cafezinho

Marisa Letícia, submetida ao estresse extremo, sofreu um AVC e morreu. Os médicos são unânimes em que o ambiente de pressão, de perseguição e linchamento foi causa decisiva para essa morte. Mas, mesmo assim, Sérgio Moro não a absolveu. Os advogados pediram a absolvição dela após a morte. Mas ele não aceitou. Apenas decretou a “extinção da punibilidade”. Ou seja, manteve um espinho cravado sobre a alma dela, mesmo depois de morta. Perseguindo-a, com as fúrias da lei, mesmo no outro mundo. Mas e Claudia Cruz? Cláudia, foi absolvida.

Marisa Letícia nunca teve conta na Suíça, não fez gastos de US$ 526 mil no cartão de crédito, ou seja, mais de meio milhão de dólares, em compras suntuosas nas capitais do luxo. No entanto, apesar de Cláudia, como é conhecida na intimidade, gastar mais de meio milhão de dólares em futilidades, Moro viu nisso só inocência. Só vislumbrou boa fé. No caso de Maria Letícia, ao contrário, aceitou a denúncia ridícula que a acusa de lavagem de dinheiro por um triplex que ela nunca usou. Cláudia Cruz comprou, usou, consumiu, usufruiu, ostentou. Mas é inocente. Já no caso de Marisa, não comprou, não usou, não habitou – Mas havia elementos suficientes para que o juiz aceitasse a acusação.

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Uma vez falecida, os advogados fizeram o pedido de absolvição sumária da mulher de Lula, nas duas ações da Lava Jato. Mas Moro decidiu outra coisa:

“Cumpre reconhecer que a presunção de inocência só é superada no caso de condenação criminal. Não havendo condenação criminal, é evidente que o acusado, qualquer que seja o motivo, deve ser tido como inocente”, escreveu o juiz no despacho.

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E Claudia Cruz? Com ela foi tudo muito diferente. Como disse Sérgio Moro na sentença:

“Evidentemente, não há nada de errado nos gastos em si mesmos, mas são eles extravagantes e inconsistentes para ela e para sua família, considerando que o marido era agente público. Deveria, portanto, a acusada Cláudia Cordeiro Cruz ter percebido que o padrão de vida levado por ela e por seus familiares era inconsistente com as fontes de renda e o cargo público de seu marido”, disse ele na decisão.

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Claudia Cruz, não era beneficiária de corrupção, mas vítima de uma sutil inconsistência. Tão sutil, que ela foi perdoada por não ter percebido nada:

“Embora tal comportamento seja altamente reprovável, ele leva à conclusão de que a acusada Cláudia Cordeiro Cruz foi negligente quanto às fontes de rendimento do marido e quanto aos seus gastos pessoais e da família. Não é, porém, o suficiente para condená-la por lavagem dinheiro”, completou o juiz.

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Isso aqui é acintoso. Uma jornalista, ex-apresentadora de jornal na principal emissora do país, uma mulher experiente e bem relacionada num mundo em que a corrupção é o prato do dia, e o caviar da noite, não sabia que o marido auferia seus milhões da corrupção?

Já Marisa Letícia, uma ex-operária, com poucos recursos culturais e relativamente iletrada, que dedicou sua vida ao espaço doméstico, após seu casamento com Lula, foi tida por uma perigosa vampe assaltante dos cofres públicos. No caso de Marisa Letícia, a corrupção seria um mal, que tira dinheiro de hospitais, que mata milhares, que desfalca o país, etc. No caso de Claudia Cruz, se trata de inconsistência e de negligência? Por favor.

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O mais grave é o que se lê por dentre essas linhas tortas e esses pingos que são a letra da lei: que em dando uma de imparcial e benéfico com Claudia Cruz, Sérgio Moro esteja visando acumular pontos de integridade para, ‘imparcialmente’, condenar Lula. No entanto, o que emerge daí, com todos os pingos nos is, é que um juiz com tamanho preconceito de classe jamais poderá julgar um líder operário como esse, que simplesmente ele pretende condenar.

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