Arnaldo César: o golpe saiu pela culatra

"O golpe que derrubou Dilma Rousseff pode ter saído pela culatra para os tucanos que estão de olho no poder. Renasce a campanha pelas Diretas Já na qual eles terão poucas chances", analisa o jornalista Arnaldo César; para ele, FHC está "com medo das reações que poderão vir das ruas", e por isso propôs o diálogo entre PT e PSDB

05/09/2016- Manifestantes protestam contra Michel Temer na avenida Paulista, São Paulo. Foto:roberto Parizotti- CUT
05/09/2016- Manifestantes protestam contra Michel Temer na avenida Paulista, São Paulo. Foto:roberto Parizotti- CUT (Foto: Gisele Federicce)


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Por Arnaldo César, jornalista, no Blog do Marcelo Auler

O golpe que derrubou Dilma Rousseff pode ter saído pela culatra para os tucanos que estão de olho no poder. Renasce a campanha pelas Diretas Já na qual eles terão poucas chances.

Quem se deu ao trabalho de ler o artigo “Triste Fim”, do ex-presidente Fernando Henrique, publicado na edição deste último domingo (dia 04), de O Globo, ficou com travo amargo na boca. Como é de seu estilo, o “Príncipe dos Sociólogos” bateu e assoprou à vontade. Como sempre fez quando governou o País, também tratou do seu partido, o PSDB, com distanciamento obsequioso, como se nada tivesse a ver com ele.

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O travo deve-se às entrelinhas embutidas no sermão dominical. Pendular como um trapezista mambembe, deixou transparecer que não está satisfeito com os rumos que o governo golpista vem tomando, nas últimas semanas. Aliás, o seu “enfant gâté”, Aécio Neves, no mesmo veículo e na mesma edição, também vocalizou o desentendimento com os parceirinhos do PMDB, adotando mais contundência e menos platitude.

Com medo das reações que poderão vir das ruas, nas próximas semanas, FHC propõe o que apelidou de: “verdadeira reconstrução e diálogo não hegemônico”. De certa maneira, desafiou o PT a este entendimento. Ou seja, o golpe saiu pela culatra.

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artigo FHC pós impeachmenty

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O descontentamento da cúpula do PSDB com os milicianos comandados por Eduardo Cunha não passa – para usar uma expressão tipicamente tucana – de nhenhenhém. Desde a década de 90, quando chegou ao poder, FHC sabe do oportunismo, truculência, fisiologismo e voracidade do dinheiro público com que o PMDB atua na política nacional.

Com eles esse papo de “verdadeira reconstrução” não cola. A federação de partidos em que o PMDB sempre foi – depois da morte de Ulysses Guimarães – só pensa nos interesses paroquiais de seus integrantes. Está aí, o “ínclito” Eduardo Cunha que não nos deixa mentir.

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Quando capitanearam o golpe contra Dilma, os tucanos imaginaram que iriam tutelar Temer e o seu patrono Eduardo Cunha. Deram com os burros n’água. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, um tucanão anfíbio acostumado a servir quem está no poder, tem dado mostras de que mais dia menos dia abandonará o barco conduzido pelos gondoleiros Cunha/Temer.

Os ideólogos do PSDB também engendram que catapultando Dilma, agora, meteriam a mão na máquina do governo, em tempo, para alavancar o retorno deles ao poder em 2018. Sabem que num novo embate nas urnas com o PT serão fragorosamente derrotados. Sem fisiologismo as urnas tendem a ser adversas.  A coisa está difícil para todo mundo.

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O próprio “Príncipe” admitiu isso no seu texto. Já no último parágrafo alertou que se o tal diálogo não hegemônico não ocorrer: “novamente a insatisfação popular se manifestará nas ruas”.

Enquanto não passar por uma ampla e profunda reforma, a política brasileira continuará se norteando pela lógica de que o eleitorado sempre apostou nos candidatos majoritários para exercer o poder executivo e mandou-os buscar a governabilidade, negociando com as trinta e tantas outras agremiações. Está aí a razão das famigeradas  alianças espúrias e oportunistas no País afora. Embora tenha feito tratativas com o que há de mais esdrúxulo na política nacional, FHC, hoje, condena tal prática. Considera isso: “atraso”.

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O impeachment meia bomba de Dilma, fruto da irresponsabilidade e do oportunismo da Câmara Federal, empurrou o País para uma situação de conflagração. Não serão acordos de cavalheiros entre o PT, PDSB e demais partidos de centro que irão nos tirar desta encruzilhada. Os brasileiros estão enfarados de tanto nhenhenhém.

Só uma eleição direta, agora, vai nos salvar desta temida convulsão social.

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