Antropóloga diz que greve de caminhoneiros teve lógica de redes, não de sindicatos
A antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, professora na Universidade Federal de Santa Maria (Rio Grande do Sul), se reuniu com quatro grupos de caminhoneiros que estavam em greve; em parceria com Lucia Scalco, outra antropóloga, Pinheiro-Machado identificou que a lógica da greve não teve nada de sindicatos e sim das redes sociais, fenômeno semelhante à “primavera árabe”
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
247 - A antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, professora na Universidade Federal de Santa Maria (Rio Grande do Sul), se reuniu com quatro grupos de caminhoneiros que estavam em greve. Em parceria com Lucia Scalco, outra antropóloga, Pinheiro-Machado identificou que a lógica da greve não teve nada de sindicatos e sim das redes sociais, fenômeno semelhante à “primavera árabe”.
Ela argumenta ainda que os pedidos por intervenção militar representam um "pedido de socorro" de uma população descrente com a democracia representativa e para quem viver está cada vez mais difícil. "Não é um pedido por uma nova ditadura, mas sim para parar com a roubalheira e dar rumo para um país desgovernado", diz. Observadora atenta da esquerda, explica que ela perdeu a capacidade de fazer trabalho de base e acredita que o grupo tem o dever de defender os caminhoneiros, uma classe trabalhadora precarizada, independentemente de pedirem uma intervenção militar ou votarem no candidato ultraconservador Bolsonaro (PSL). "Não se escolhe trabalhador bom ou trabalhador ruim".
“O primeiro de tudo é que houve um amplo apoio popular e as pessoas foram construindo a ideia de que é possível fazer alguma coisa e parar o país com uma ampla solidariedade da sociedade. A greve também mostrou que população e polarização são coisas diferentes. A polarização não abarca toda a população. Os grupos mais politizados tendem a encaixar esses movimentos dentro de um ou outro lado, mas não veem que a população é contraditória e reflete diversos lados da polarização. Outra grande lição: a esquerda não tem base e não tem capacidade de fazer trabalho de base.
Como o PT não entrou com força, por diversas razões, a esquerda que sobra é muito pequena. O PSOL, movimentos menores, autonomistas... Foi muito importante terem apoiado a paralisação desde o início, mas o PT ainda é hegemônico e isso ficou muito claro. Algo que a gente vem percebendo desde 2013 é que o trabalho de base agora tem que ser via Whatsapp. Os movimentos são ambíguos porque seguem a lógica de agregação, em que você agrega pessoas via viralização, contágio, nas redes sociais. E como não são sindicalizados, sem aquela linha clara do sindicado e do movimento, elas reivindicam coisas múltiplas. Tanto a direita como a esquerda ainda não sabem lidar com isso.”
Leia mais aqui.
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247