Vitamina D. Prevenção e tratamento das infecções respiratórias agudas

O valor da vitamina D para a saúde dos ossos já é reconhecido, mas esse hormônio esteroide também tem grande utilidade para os músculos, os nervos e o sistema imunitário. A carência de vitamina já é considerada como problema de saúde pública que pode comprometer até 90% das pessoas em algumas populações

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Por: Dra. Carla Vorsatz

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Fonte: Site http://portugues.medscape.com/

 

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Eu disse hormônio? Sim, acontece que a vitamina D não é exatamente uma vitamina, é um pró-hormônio produzido pela ação dos raios solares na pele ou ingerido de alimentos. As duas principais formas de vitamina D são a vitamina D2 (ou ergocalciferol) e a vitamina D3 (ou colecalciferol), ambas utilizadas para o tratamento de hipoparatireoidismo, raquitismo, hipofosfatemia e síndrome de Fanconi, bem como de deficiência de vitamina D.

Um pouquinho de terminologia técnica: No fígado, o colecalciferol se transforma em 25 hidroxivitamina D – 25(OH)D ou calcidiol, pró-hormônio, sendo esta a forma cuja dosagem sérica é feita para acompanhar o uso da vitamina D. A forma ativa da vitamina D é o calcitriol (1,25 di-hidroxivitamina D), obtido pela transformação da 25 hidroxivitamina D no rim. O calcitriol é o hormônio que facilita a absorção de cálcio pelo organismo.

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Vitamina D reduz o risco de infecções

Em 15 de fevereiro foi publicada no periódico British Medical Journal uma revisão sistemática para avaliação do efeito global da complementação nutricional com vitamina D2 ou D3 focada sobre o risco de infecção aguda do trato respiratório, e também para identificar os fatores que modificariam este efeito. Esta relação é muito importante: só na Inglaterra estas doenças são responsáveis por cerca de 300 mil internações hospitalares ao ano. Foram consideradas as infecções respiratórias agudas altas e baixas.

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Os pesquisadores avaliaram dados individuais de pacientes provenientes de 25 ensaios clínicos randomizados com um total de 11.321 participantes com idade de zero a 95 anos. Cerca de 97% dos participantes tinham dados individuais disponíveis. O uso de complementos de vitamina D reduziu o risco de infecção aguda do trato respiratório entre todos os participantes.

Os efeitos protetores do complemento de vitamina D foram mais fortes para pacientes com níveis séricos mais baixos de vitamina D (< 25 nmol/L) do que para os participantes com níveis iguais ou superiores a 25 nmol/L. Não houve eventos adversos sérios relacionados com a vitamina D. Os dados das evidências utilizadas nesta análise foram considerados como sendo de alta qualidade.

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A conclusão do estudo foi que a complementação nutricional com vitamina D é segura e protege contra as infecções agudas do trato respiratório, principalmente para as pessoas que ainda não usam esta complementação ou têm deficiência de vitamina D. De acordo com a recomendação do Consenso da Sociedade Brasileira de Endocrinologia os níveis séricos considerados adequados são acima de 30 ng/mL.

O autor do estudo, Dr. Adrian Martineau, da Queen Mary University de Londres, afirmou em um comunicado à imprensa que “Essa grande pesquisa fornece as primeiras evidências científicas de que a vitamina D realmente protege contra as infecções respiratórias”.

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Este é um grande avanço na pesquisa de complementos alimentares para a saúde. A vitamina D pode ser obtida em alimentos como peixes ou óleos de peixe (sobretudo salmão, atum e sardinha), ovos, ostras, suco de laranja, cogumelos comestíveis e fígado bovino, mas a maior parte é obtida pela exposição direta ao sol, prejudicada desde o advento dos filtros solares. Por isso a recomendação atual do governo inglês é que todos "considerem" tomar suplementos diários de vitamina D3. Países como a Finlândia já "fortificam" alimentos com vitamina D3.

No Brasil a exposição solar é mais fácil do que nos países do norte, mas ela nem sempre é possível nos horários nos quais a exposição não implica risco de câncer de pele e pode ser feita sem protetor solar, de modo que também há indicação de usar complementos de vitamina D com acompanhamento médico.

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