Violência derruba aprovação a Alckmin

O surto de violência que aflige São Paulo há cerca de seis meses e que teve respostas lentas e pouco eficazes do governo do Estado, seguramente, é a principal razão da queda contundente da aprovação da gestão do governador



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O surto de violência que aflige São Paulo há cerca de seis meses e que teve respostas lentas e pouco eficazes do governo do Estado, seguramente, é a principal razão da queda contundente da aprovação da gestão do governador Geraldo Alckmin.

De acordo com pesquisa do instituto Datafolha, divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo com estranha discrição no último domingo, hoje, apenas 29% dos paulistanos consideram o governo estadual ótimo ou bom, quando esse índice era de 40% em setembro deste ano. Ou seja, em menos de três meses, a aprovação a Alckmin caiu 11 pontos. O Datafolha atesta também que 63% dos entrevistados consideram ruim ou péssima a atuação do governador na área de Segurança. Nas sub-regiões da capital que agregam distritos da região Sul que mais sofrem com a violência, como Parelheiros, Pedreira e Campo Limpo, as avaliações "ruim" ou "péssima" para a área chegam a 70%.

Como se esses números não fossem reveladores da falência da Segurança Pública sob o comando dos tucanos, 71% dos paulistanos dizem acreditar que o governo de Alckmin esconde informações sobre as mortes ocorridas nas últimas semanas na região metropolitana da capital, resultante da guerra entre facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), esquadrões da morte e grupos paramilitares incrustados nas polícias estaduais. Um número arrebatador da crescente desconfiança da população em relação à conduta do governador neste momento de crise.

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O levantamento do Datafolha reflete ainda o peso da violência no cotidiano da população. Apesar dos esforços de setores da imprensa para não propagar a sigla, 98% dos moradores da capital já ouviram falar no PCC. Como esconder a existência de uma organização que vem expandindo suas atividades e já se instalou em 21 Estados brasileiros, no Distrito Federal, além de Bolívia e Paraguai? Trata-se de uma organização que, segundo relatório reservado da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) do Ministério da Justiça, divulgada recentemente pelo jornal O Globo, movimenta cerca de R$ 72 milhões por ano com o comércio de drogas e mensalidades pagas por 13 mil integrantes, dos quais 6 mil encontram-se em presídios paulistas.

A expansão da organização criminosa, mais do que mérito de sua capacidade de articulação, é resultado do fracasso das políticas de segurança empreendidas pelos tucanos, que governam o Estado de São Paulo há 20 anos. Permitiram que a facção do crime organizado alastrasse suas atividades, apesar de suas ações e métodos serem conhecidos, pelo menos, desde maio de 2006, quando desafiaram e derrotaram o governo estadual, praticamente paralisando a  cidade de São Paulo e provocando os assassinatos de 403 pessoas.

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O governador que, desde agosto, tinha conhecimento de uma ordem dada pelo comando do PCC, determinando a morte de dois policiais para cada membro da organização assassinado nas ruas, negou sistematicamente até bem pouco tempo a ocorrência desta guerra que já faz centenas de vítimas. Alckmin recusou-se a reconhecer aquilo que a população sofre nas ruas e ainda se esquiva de admitir que parte do contingente da polícia  militar tem sido vítima de extermínio por retaliação. Os ataques sistemáticos a policiais militares, como parte da imprensa tem apontado, são respostas à apropriação por policiais de esquemas de extorsão, outrora comandados pelo PCC.

Ao deixar de reconhecer a gravidade da situação que não teve competência para evitar, o governador Geraldo Alckmin atrasa ainda mais a solução dos problemas e a adoção de políticas preventivas que possam coibir o desastre a que assistimos atualmente. Políticas sérias que não se limitem a punir, mas, sobretudo, que ofereçam aos jovens, cooptados pelo crime dentro e fora dos presídios, perspectivas de estudo, de trabalho de lazer, enfim, de uma vida digna.

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Ao contrário do que acredita o governador Alckmin, não será com medidas como a diminuição da maioridade penal, velha proposta que trouxe à tona recentemente, nem com outras ações reacionárias e ineficazes desenterradas pelos tucanos sempre que suas políticas de segurança se mostram fracassadas, que resolveremos a questão da violência e do crime organizado.

Como mostra a crescente desaprovação à sua administração, a segurança é uma área sensível, que interfere diretamente no cotidiano dos cidadãos e que exige do Estado uma postura diferente da que vem sendo apresentada. Fingir que os problemas não existem ou tentar vencê-los com mais violência, definitivamente, não é o caminho.

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