Vereadores eleitos pela oposição votam como manda João Alves
É o que ocorre com os parlamentares Max Prejuízo (PSB) - na foto -, Robson Viana (PMDB), Dr. Gonzaga (PMDB), Valdir Santos (PT do B) e Ivaldo José (PSD), eleitos na coligação de Valadares Filho (PSB) e que hoje já cumprem orientações de João; eles votaram contra a gestão democrática nas escolas e a retirada dos benefícios fiscais para empresas de Tecnologia da Informação
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Valter Lima, do Sergipe 247 - A convocação extraordinária da Câmara de Vereadores de Aracaju demonstrou um dado interessante sobre como são temporárias – e frágeis – as posições políticas de certo parlamentares: dos 11 vereadores eleitos pela coligação que apoiava a candidatura de Valadares Filho (PSB), apenas cinco ficaram na oposição. Isso mesmo: a maioria já debandou para a confortável condição de governista. Assim, ficou muito mais fácil para o prefeito João Alves Filho (DEM) ver suas indicações aprovadas, sem qualquer dificuldade.
Eleitos na chapa “Aracaju segue em frente”, os vereadores Robson Viana (PMDB), Dr. Gonzaga (PMDB), Max Prejuízo (PSB), Valdir Santos (PT do B) e Ivaldo José (PSD) aprovaram, sem chiar, nem questionar, os projetos da gestão do DEM que acabaram, por exemplo, com a gestão democrática nas escolas da rede municipal de ensino, e com os incentivos fiscais para empresas de Tecnologia da Informação (TI). Somente o vereador Jony Marcos (PRB) não participou das sessões e ainda não é possível mensurar de que lado ele ficará.
É, no mínimo, estranho, ver parlamentares de partidos, historicamente, de esquerda e que se mantiveram na base de sustentação dos prefeitos Marcelo Déda (PT – 2001 - 2006) e Edvaldo Nogueira (PC do B – 2006 -2012), hoje votarem contra projetos aprovados nas gestões anteriores. Mais estranho ainda é também ver um parlamentar como Max Prejuízo, do PSB, partido que fez a mais dura campanha contra João, hoje votar favorável ao prefeito, sem qualquer constrangimento.
Um exemplo das contradições que cercam o novo Legislativo Municipal está na posição de Robson Viana, que no final do ano passado, quando o projeto que concedia benefícios fiscais para as empresas de TI foi aprovado, ele se mostrou muito favorável à proposta. “Este incentivo vai facilitar a instalação de novas empresas de um setor de grande importância para a economia”, disse ele ao Portal Infonet, no dia da aprovação. Um mês depois, o silêncio absoluto do parlamentar em relação ao tema foi muito incoerente.
E a mudança de posição em relação a este tema também respinga em quem era oposição até o final de dezembro. O vereador Josenito Vitale, o Nitinho, do DEM, fez duras críticas à gestão anterior, por demorar em apresentar um projeto que reduzisse a carga tributária das empresas de TI. Pois bem, o ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PC do B) apresentou a proposta, que foi aprovada, e menos de um mês depois, o mesmo Nitinho já mudara de opinião e votou contra a manutenção do benefício fiscal.
Mas a situação fica realmente problemática, quando se vê integrantes de partidos como o PMDB e PSB votando contra a gestão democrática nas escolas. Esta atitude vai contra os conceitos que serviram de base para fundação destas siglas e revela, sem pudores, o fisiologismo e o pragmatismo de parcela considerável da classe política brasileira.
Se eleitos foram dentro da coligação do candidato derrotado, Valadares Filho, os 11 vereadores deveriam se manter na oposição, por uma questão de respeito ao eleitorado aracajuano. No entanto, os interesses individuais falam mais alto.
Assim, restou aos vereadores Lucimara Passos (PC do B), Iran Barbosa (PT), Lucas Aribé (PSB), Emanuel Nascimento (PT) e Emerson Ferreira (PT) o papel de oposição ao prefeito João Alves Filho. Que nenhum deles se desgarre desta importante função na manutenção da democracia.
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