Veja ainda fará de Murici seu novo Maranhão
Bastou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se encontrar com o ex-presidente Lula, solidificando a aliança PT-PMDB, para que Veja o premiasse com uma reportagem sobre sua cidade de origem; agora, os ataques que antes tinham como alvo José Sarney e o Maranhão serão dirigidos à base de Renan; coisas da política
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247 - Pode até ser coincidência, mas, em se tratando de Veja, uma revista que faz mais política do que jornalismo, elas raramente acontecem. Na sexta-feira, o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tiveram um importante encontro no Instituto Lula, que foi decisivo para solidificar a aliança PT-PMDB em relação a 2014 (leia mais aqui). Um dia depois, no sábado, Veja chegou às bancas com uma reportagem sobre a pequena Murici (AL), base política da família Calheiros, que seria uma cidade "parada no tempo", segundo a revista da Editora Abril, a despeito das verbas federais que recebe.
A grosso modo, Murici será transformada, daqui até 2014, no que foi o Maranhão, enquanto o esteio da aliança PT-PMDB foi o senador José Sarney (PMDB-MA), e não Renan. Nos últimos anos, o Maranhão era retratado como o emblema do atraso, mas nada disso aconteceria se Sarney, ao contrário da aliança com Lula, tivesse fechado com o PSDB nas disputas de 2002 e 2006. Numa capa "clássica" de Veja, que provocou ojeriza entre leitores maranhenses, a filha e o genro de Sarney, Roseana e Jorge Murad, foram colocados na primeira página capa com os dizeres "Eles pensaram que o Brasil era o Maranhão". A reportagem dizia respeito ao caso Lunus, um episódio ainda obscuro do governo FHC e da biografia de José Serra.
Nessa construção política, o papel do Maranhão não pode ser transferido ao estado de Alagoas, porque há um complicador político. O estado é governado há seis anos pelo tucano Teotônio Vilela Filho. Então, fica combinado assim: Murici fica parada no tempo, enquanto Alagoas avança 50 anos em cinco.
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