Uma Copa não se faz só com estádios
Há exatos 567 dias para a Copa de 2014, o Brasil ainda não tem, nas suas cidades-sede, nada que se possa justificar a realização do evento
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Há exatos 567 dias para a Copa de 2014, a partir desta quinta-feira 22, o Brasil ainda não tem, nas suas cidades-sede, nada que se possa justificar a realização do evento. Apenas os palcos principais estão sendo construídos, ou seja, os estádios. Mas uma Copa não se faz somente com estádios. Faz-se necessário uma infraestrutura muito maior no que tange à mobilidade urbana, saúde, educação, aeroportos, vias de acesso, portos, segurança, sistema eficaz de comunicação e, principalmente, capacitação da mão de obra.
Por falar em capacitação da mão de obra, essa é um desastre. Matéria recente em um periódico de Salvador, intitulada "Restaurantes baianos na marca do pênalti", relata situações inusitadas: um garçom respondendo a um incrédulo cliente que queria jantar numa cantina: "Não temos pênis"... (será que ele é eunuco?), o correto seria penne. Mas não ficou somente nesse deslize na pronúncia, ainda teve o famoso: "tem, mas acabou"!
Isso é só um tira-gosto dos absurdos que ouvimos pelos vários restaurantes, bares, hotéis e outros empreendimentos da cidade: "Não tem bacon, pode presunto? Sem atum, pode sardinha"? Eu já presenciei vários absurdos com relação a atendimento em bares e restaurantes, ao ponto de o garçom dizer "se não gostou, vá pra outro bar, mas não me encha o saco". Esta semana um garçom em um estabelecimento na orla de Salvador discutiu com um cliente e saiu na mão grande, inclusive dando uma facada no cliente, e depois fugiu. Ora, a máxima do mercado não é "o cliente sempre tem razão"? Então que zorra é essa?
Por outro lado, os empresários não disponibilizam seus colaboradores para se qualificar, apesar de serem oferecidos diversos cursos em várias instituições do sistema "S" (SEBRAE, SENAC, SENAI, SESC), universidades e outras. A Copa é uma grande oportunidade para a qualificação da mão de obra que vai trabalhar com o turismo e para a população local também. A mentalidade tacanha do empresariado poda essa qualificação sob a alegação de que, depois de formado, o colaborador vai à procura de outro emprego.
Outro ponto crucial é a comunicação, tanto na nossa língua pátria como em outros idiomas. Os brasileiros apresentam um dos piores desempenhos ao se comunicar em inglês, segundo pesquisa do EF English Proficiency Index (EF EPI) de 2012. O levantamento aponta que o Brasil está na 46ª posição em um ranking que considera 54 países. Ao observar apenas a América Latina, o País fica atrás de Argentina, Uruguai, Peru, Costa Rica, México, Chile, Venezuela, El Salvador e Equador. No Brasil, a cidade que apresenta a melhor pontuação é o Rio de Janeiro, seguido por São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. Estas têm "baixa proficiência" em inglês, enquanto o Brasil, como um todo, tem "muito baixa proficiência".
Tanto a Copa das Confederações 2013 como a Copa da FIFA 2014, apesar de ser um evento particular da entidade máxima do futebol mundial, irá gerar diversas oportunidades de trabalho e qualificação da mão de obra, cujos cursos já estão em andamento através da SECOPA em convênio com diversas instituições e universidades. O caminho a percorrer é longo, mas esse evento deixará, com certeza, um grande legado social para os baianos, e não podemos desprezar essa oportunidade.
Trabalho com qualificação da mão de obra turística e o que se vê por aí é uma péssima qualidade na prestação dos serviços, seja na hotelaria, nos meios de alimentação e no próprio comércio. Às vezes parece que quando você vai adquirir um produto ou serviço está pedindo um favor devido ao descaso e falta de profissionalismo das pessoas que trabalham com o público. Espero, sinceramente, que esse megaevento que é a COPA traga muita coisa de bom para as pessoas e que o legado se perpetue por muitos anos, para o bem do turismo na Bahia. Axé!
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