Um peso e duas medidas, diz vice-presidente do PT-TO sobre condenação de Lula
A vice-presidente do PT no Tocantins, Márcia Barbosa, criticou a decisão do juiz federal Sérgio Moro, de condenar o ex-presidente Lula a 9 anos e 6 meses de prisão; de acordo com a petista, "uma condenação sem provas e isso nos entristece muito porque é um peso e duas medidas. Enquanto eles absolvem pessoas de outros partidos políticos, com provas robustas, de corrupção comprovada, ao mesmo tempo eles condenam uma pessoa sem provas que justifiquem, que comprovem a denúncia"; quando o MPF denunciou Lula, um dos procuradores Henrique Pozzobon admitiu não existir "prova cabal" de que o petista é "proprietário no papel" do tripléx
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Tocantins 247 - A vice-presidente do PT no Tocantins, Márcia Barbosa, criticou a decisão do juiz federal Sérgio Moro, de condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 9 anos e 6 meses de prisão. De acordo com a petista, "uma condenação sem provas e isso nos entristece muito porque é um peso e duas medidas. Enquanto eles absolvem pessoas de outros partidos políticos, com provas robustas, de corrupção comprovada, ao mesmo tempo eles condenam uma pessoa sem provas que justifiquem, que comprovem a denúncia".
"Ele está sendo condenado por uma suposta corrupção. Não existe nada que comprove que o tríplex seja dele. Não tem documento, não tem nada que prove, mas existe uma suspeita, uma convicção de que esse imóvel foi dado a ele", afirmou Márcia, que vê a condenação como uma tentativa de inviabilizar a possível candidatura do petista à presidência em 2018. "Mas vamos resistir e confiamos que a defesa do presidente Lula possa reverter isso, provar sua inocência", acrescentou.
Lula é acusado pelo Ministério Público Federal de ter recebido R$ 3,7 milhões em propina por conta de três contratos entre a OAS e a Petrobras. De acordo com o MPF, os valores foram repassados ao petista por meio da reforma de um apartamento no Guarujá e do pagamento do armazenamento de bens de Lula, como presentes recebidos no período em que era presidente.
No último dia 20 de junho, a defesa de Lula apresentou as alegações finais do processo, nas quais sustentou, com documentos inéditos, que OAS não tinha direitos para repassar o triplex a Lula. Segundo a defesa, apesar de o apartamento 164 A do edifício Solaris estar em nome da OAS Empreendimentos S/A, em 2010, todos os direitos econômicos e financeiros sobre o imóvel foram passados para um fundo gerido pela Caixa Econômica Federal.
Para Márcia Barbosa, uma parte da sociedade não admite que um simples trabalhador tenha chegado à Presidência da República. A petista afirmou que "o plano de governo do presidente Lula provou que era possível governar para todos e existe uma elite raivosa que não admite isso".
"Não admite que o trabalhador adentre nas universidades, que o trabalhador tenha acesso a viagens aéreas, que tenha direito a férias, tanto é que o Governo que está aí acaba de fazer um ataque a CLT, contra os direitos trabalhistas conquistados ao longo dos anos e tudo que essa elite quer é que o modelo de gestão do PT seja esquecido e que volte o modelo excludente, onde os ricos conseguem ficar cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres e sem direitos, subjugados a prestar obediência e serviço a classe A. Essa é a minha visão e a visão de grande parte dos militantes do Partido dos Trabalhadores", disse.
Denúncia 'sem prova cabal'
Quando o MPF denunciou Lula, em setembro do ano passado, um dos procuradores Henrique Pozzobon admitiu não existir "prova cabal" de que o petista é "proprietário no papel" do tripléx.
"Precisamos dizer desde já que, em se tratando da lavagem de dinheiro, ou seja, em se tratando de uma tentativa de manter as aparências de licitude, não teremos aqui provas cabais de que Lula é o efetivo proprietário no papel do apartamento, pois justamente o fato de ele não figurar como proprietário do tríplex, da cobertura em Guarujá é uma forma de ocultação, dissimulação da verdadeira propriedade", disse o procurador.
Nove meses antes, em janeiro, o ex-presidente publicou no site do Instituto Lula um dossiê completo em que disponibiliza todos os documentos referentes ao apartamento. Foram publicados seus contratos com a Bancoop, sua declaração de Imposto de Renda, a declaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral e os contratos que compravam a desistência da ex-primeira-dama Marisa Letícia em continuar com o imóvel.
"A mesquinhez dessa 'denúncia', que restará sepultada nos autos e perante a História, é o final inglório da maior campanha de perseguição que já se fez a um líder político neste País", diz o texto (leia mais aqui, inclusive, os documentos).
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