Ufal estuda relação entre larvicida e microcefalia

Pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) constataram que o larvicida utilizado no controle do mosquito Aedes aegypti é prejudicial para a saúde de peixes; a partir dessa descoberta eles também passaram a observar os prejuízos ocasionados à saúde humana e a relacioná-los aos casos de microcefalia

Pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) constataram que o larvicida utilizado no controle do mosquito Aedes aegypti é prejudicial para a saúde de peixes; a partir dessa descoberta eles também passaram a observar os prejuízos ocasionados à saúde humana e a relacioná-los aos casos de microcefalia
Pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) constataram que o larvicida utilizado no controle do mosquito Aedes aegypti é prejudicial para a saúde de peixes; a partir dessa descoberta eles também passaram a observar os prejuízos ocasionados à saúde humana e a relacioná-los aos casos de microcefalia (Foto: Voney Malta)


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Alagoas 247 - Pesquisadores do Laboratório de Aquicultura do Centro de Ciências Agrárias (Ceca) e do Laboratório de Biotecnologia e Enzimologia do Instituto de Química e Biotecnologia (IQB) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) constataram que o larvicida utilizado no controle do mosquito Aedes aegypti é prejudicial para a saúde de peixes. Verificando os impactos dos larvicidas nos organismos aquáticos, eles também passaram a observar os prejuízos ocasionados à saúde humana e a relacioná-los aos casos de microcefalia. 

De acordo com um dos coordenadores da pesquisa, Emerson Soares, os estudos tiveram início em 2016 e surgiram após a desconfiança dos pesquisadores diante do aumento do número de casos de microcefalia, ao mesmo tempo em que houve uma intensificação do uso de larvicidas, principalmente o piriproxifeno, em ações do Ministério da Saúde (MS), normalmente colocados em cisternas que armazenam água para consumo humano e em ambientes dotados de água parada, visando o controle e o combate às larvas. O professor explica que o larvicida é um análogo a um hormônio juvenil que atua na inibição da metamorfose e embriogênese do mosquito.

Emerson enfatiza que a desconfiança começou já com os primeiros casos de deformidades ocorridas em bebês. Eles passaram então a estudar o uso de larvicidas, que poderiam causar deformidades ou se bioacumular nos organismos, chegando ao homem via alimentação. 

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"A partir dessa desconfiança, foi iniciado o projeto Avaliação do Potencial Toxicológico de Larvicidas, que tem como objetivo determinar a concentração letal do piriproxifeno e avaliar a estrutura hepática e o comportamento de peixes submetidos a vários níveis do citado larvicida na água", destacou. 

Os resultados constatados nos estudos realizados com o peixe tilápia apontam que é real a probabilidade do piriproxifeno causar danos a órgãos e tecidos. Nos estudos, foi possível comprovar que as doses usadas no combate às larvas do Aedes aegypti estão mais altas do que o recomendado para os peixes, provocando alta mortalidade.

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Ele destaca que nas análises histopatológicas (no tecido do fígado), a partir da concentração usual do larvicida, contatou-se que estes causam vários danos ao tecido hepático, hemorragias e processos inflamatórios no órgão. A enzima aceticolinesterase no cérebro dos organismos expostos ao piriproxifeno durante 96 horas também mostrou alterações no tecido cerebral do peixe. 

"O piriproxeno para a tilápia é danoso e com o avanço das pesquisas realizadas pela equipe, pretende-se ver o quanto o larvicida pode ser prejudicial ou não ao desenvolvimento embrionário de organismos aquáticos. Ou seja, se causa alguns tipos de deformidade ou malformação (deformidade ou anomalia geralmente congênita)", diz.

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Ele aproveita para explicar de que forma o larvicida pode chegar aos ambientes com água represada, que é o utilizado para cultivos intensivos de peixes. "Os ecossistemas aquáticos sofrem diversos impactos, principalmente pela ação feita pelo homem. Larvicidas e herbicidas são carreados por meio do escoamento superficial e uso direto dos biocidas na água e podem bioacumular no sistema hídrico e na biota aquática, ficando retidos no corpo do animal e, portanto, chegando ao ser humano, quando se alimenta do peixe", frisou.

O estudo tem conclusão prevista para este ano e Emerson acrescenta que ao final dará respostas às várias hipóteses levantadas. "Saberemos se o mesmo dano constatado no peixe, devido ao uso do larvicida, pode comprometer a saúde humana, provocando alteração na fisiologia e deformidades no desenvolvimento embrionário, foco da pesquisa", reforçou. 

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A pesquisa é financiada pelo Ministério da Saúde e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), envolve os professores Elton Santos, do curso de Zootecnia, e a professora Sônia Machado, do Instituto de Química e Biotecnologia, entre outros pesquisadores, e foi tema de dissertação de mestrado de Fábio Francisco da Silva, defendida no dia 26 de abril.

Com gazetaweb.com e assessoria

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