Trabalhos retomados em meio a protestos
O fim do recesso parlamentar foi marcado uma manifestao, organizada por estudantes, contrria ao aumento salarial de 62% dos vereadores recifenses; o ato ainda reinvindicou maior espao para participao estudantil na Cmara
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Beatriz Braga_PE247 – Não coincidentemente, a solenidade de abertura do “primeiro” dia do ano da Câmara Municipal do Recife foi marcada por reivindicações de estudantes da Faculdade Direito do Recife contra o aumento de 62% do salário dos vereadores. Na porta de entrada da Casa de José Mariano, os universitários estenderam cartazes, fizeram enquetes e gritaram palavras de ordem.
No plenário, no entanto, ficou claro que a o reajuste é “uma questão encerrada”, como frisou o presidente da Casa, Jurandir Liberal (PT). Apesar de ter sido categórico, o comandante aceitou as duas páginas assinada pelo presidente do Diretório Acadêmico Democrático de Souza Filho, Pedro Jácome, com o detalhamento das reinvindicações e propostas dos estudantes. Até próxima semana, o parlamentar deve se posicionar publicamente sobre a carta.
“Toda ação (o voto pelo aumento salarial) está dentro da lei. Nós recebemos a carta, que está muito bem escrita, mas tem alguns elementos postos de forma desacordada”, comentou Liberal.
Outro pedido aclamado pelos estudantes é a criação da Tribuna Estudantil e do Conselho Cidadão, que, segundo uma das líderes do movimento, Gabriela Aragão, de 20 anos, são órgãos previstos por lei e que visam à maior participação dos universitários nos debates da Câmara.
A discussão se estendeu à área externa da Casa, quando os estudantes interpelaram os vereadores que deixavam o plenário. A líder da oposição, Priscila Krause (DEM), foi uma das que conversou, durante alguns minutos, com os estudantes. Além de apoiar a criação da Tribuna Estudantil, elogiou o protesto “absolutamente civilizado” desta manhã.
A vereadora, que já havia feito uma “mea culpa” sobre seu voto a favor do reajuste salarial, afirmou que um dos fatores que contribuiu para a sua mudança de posição foi a grande repercussão, baseada em fortes argumentos, da população nas redes sociais. Em suas palavras, ela não teria dado, no dia da votação pelo aumento salarial, “a devida importância” a um fato “não corriqueiro”.
Quando questionada sobre o que poderia ser feito com o dinheiro gasto com o reajuste (como investimento em educação, infraestrutura, etc), a vereadora titubeou. “Os parlamentares não têm direito de discutir o que vai ser feito com esse dinheiro. Eu não sei se esse dinheiro pode ser redirecionado. Mas não pode se dizer que ele foi tirado de outro orçamento”, disse.
Priscila, claro, aproveitou o momento para alfinetar a gestão do prefeito João da Costa (PT). A democrata falou que, além de questionar os percentuais, os estudantes precisam reivindicar as prioridades dos gastos do governo do petista.
Depois dela, o líder do governo na Casa, Luiz Eustáquio (PT), tomou a palavra e falou dos projetos e conquistas da gestão, além de consagrar a política de continuidade de um “governo de doze anos”. No final, o secretário de Governo, Henrique Leite (PT), leu um parecer do executivo municipal sobre o balanço de 2011 e as metas deste ano.
A vereadora Aline Mariano também estava presente e avaliou o discurso do governo de “sempre a mesma coisa”. Segundo a parlamentar, o discurso da presente gestão se apoia nos feitos dos mandatos passados, por que a atual não tem grandes feitos para mostrar. “A única obra que está em curso é a Via Mangue, e temos que prestar atenção”, criticou.
Curiosamente, um dos estudantes parecia não saber onde estava protestando. O cartaz acima mostra a confusão feita por ele, que entendia que "elevou" os vereadores à condição de deputados.
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