Trabalhadores param Porto de Maceió por 48 horas

A decisão de paralisação foi tomada pelo Sindicato dos Trabalhadores Portuários de Alagoas após um aumento em que eles consideram abusivo de 200% no fundo de pensão; caminhões estão aglomerados na entrada e navios continuam atracados do Porto de Maceió; movimento também ocorre em outros portos do país

A decisão de paralisação foi tomada pelo Sindicato dos Trabalhadores Portuários de Alagoas após um aumento em que eles consideram abusivo de 200% no fundo de pensão; caminhões estão aglomerados na entrada e navios continuam atracados do Porto de Maceió; movimento também ocorre em outros portos do país
A decisão de paralisação foi tomada pelo Sindicato dos Trabalhadores Portuários de Alagoas após um aumento em que eles consideram abusivo de 200% no fundo de pensão; caminhões estão aglomerados na entrada e navios continuam atracados do Porto de Maceió; movimento também ocorre em outros portos do país (Foto: Voney Malta)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Por Bruno Levy/Cada Minuto - Trabalhadores filiados ao Sindicato dos Trabalhadores Portuários de Alagoas (Sindport/AL) deflagram na manhã desta terça-feira (03) uma paralisação de 48 horas após um aumento em que eles consideram abusivo de 200% no fundo de pensão. Caminhões se aglomeram na entrada e navios continuam atracados do Porto de Maceió.

De acordo com o diretor administrativo do Sindicato, Leo Galdino de Souza, a paralisação faz parte de um movimento nacional em que os trabalhadores portuários têm que arcar com uma despesa de R$ 2,5 bilhões de responsabilidade, segundo ele, do Governo Federal.

Essa dívida faz parte da extinção da Portobrás em 1990 que deixou de recolher ao Instituto um valor próximo de R$ 1 bilhão em contribuições patronais atualizadas, além de outros R$ 2,5 bilhões, indiretamente, referentes à corrente participação das Companhias Docas federais.

continua após o anúncio

A dívida então seria paga por cerca de dez mil veteranos portuários, responsáveis e previdentes. “Adicionado a isso, exclusivamente aqui no Porto de Maceió e de Natal-RN, a classe patronal não tem repasse do fundo de pensão”, disse Leo Galdino.

Uma assembleia nacional será realizada ainda hoje, às 11h, para decidir se a paralisação continua.

continua após o anúncio

No mês passado, o Sindport divulgou uma nota sobre a paralisação. Confira na íntegra:

"É público e notório que os fundos de pensão de grandes empresas estatais enfrentam hoje sérios problemas financeiros, em razão sobretudo do uso político dessas instituições – a maioria criada na década de 70 – e, por consequência, dos prejuízos gerados durante anos de aventuras negociais realizadas com recursos dos participantes.

continua após o anúncio

Os exemplos de categorias que estão sendo penalizadas por medidas de ajuste são dos mais diversos. Todavia, a briosa categoria portuária encontra-se, hoje, entre a cruz e a espada, por força de decisões governamentais absolutamente inéditas, embora revestidas de circunstancial legalidade.

Atualmente, cerca de dez mil portuários, entre aposentados, pensionistas e empregados ativos do sistema portuário nacional, após anos e anos de serviço e fiéis recolhimentos, desde 1980, para o Instituto de Seguridade Social dos Portuários – o Portus –, se sentem acuados entre a perspectiva de terem de arcar com aumentos insuportáveis em suas contribuições previdenciárias mensais ou abraçar de morte o fantasma da liquidação extrajudicial da Instituição. Nada mais desumano.

continua após o anúncio

Para quem não sabe, a dilapidação do Portus não resulta apenas de maus negócios e de inconsistências atuariais, como ocorre com a maioria das demais entidades congêneres. É uma questão chancelada pela própria União, que, a partir da extinção, em 1990, da empresa holding do sistema portuário – a Portobrás – simplesmente deixou de recolher ao Instituto algo próximo de R$ 1 bilhão, em contribuições patronais atualizadas, além de outros R$ 2,5 bilhões, indiretamente, referentes à corrente participação das Companhias Docas federais.

Em outras palavras, as empresas patrocinadoras do Plano de Benefícios dos portuários em todo o país passaram simplesmente a negligenciar a sua condição, porém recolhendo fielmente ao Portus apenas as contribuições dos trabalhadores. E é essa a conta que agora tentam, com impressionante desfaçatez, empurrar para que nós paguemos, a pretexto de reequilibrar – pelos próximos dois anos, somente – as finanças da entidade.

continua após o anúncio

Em suma, os dez mil veteranos portuários, responsáveis e previdentes, é que têm de pagar a conta da imprevidência e da inconsequência estatal. Essa é a lógica sustentada pela PREVIC, órgão federal criado em 2009 para fiscalizar e disciplinar o setor, e que, desde agosto/2011, conduz o processo de intervenção no Portus.

Por isso, ante a esse verdadeiro escárnio legal endossado pelos Ministérios do Planejamento e dos Transportes, que autorizaram a aplicação, a partir de 01.04.2018, de percentuais de aumento de contribuição previdenciária da ordem de 200% a todos os participantes ativos, aposentados e pensionistas do Portus, os trabalhadores portuários do Estado de Alagoas estarão se incorporando, nos próximos dias 3 e 4 de abril, ao movimento nacional em defesa da dignidade e do respeito aos direitos fundamentais da categoria e de seus familiares – cerca de 30 mil pessoas –, com a paralisação temporária das atividades do Porto de Maceió"

continua após o anúncio

 

 

continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247