Tijolaço: Aécio teve a repercussão de sua pequenez
"Critico sempre as opiniões de Merval Pereira. Mas desta vez, tenho de reconhecer que, da imensa massa de colunistas que elogiava Aécio Neves, foi o único a ser condescendente com ele, ontem, no trôpego discurso de sua rentrée no Senado Federal, fazendo ao menos a concessão de que seu discurso 'foi sóbrio'. De resto, nem Reinaldo Azevedo", comenta o jornalista Fernando Brito
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Por Fernando Brito, do Tijolaço
Critico sempre as opiniões de Merval Pereira.
Mas, desta vez, tenho de reconhecer que, da imensa massa de colunistas que elogiava Aécio Neves, foi o único a ser condescendente com ele, ontem, no trôpego discurso de sua rentrée no Senado Federal, fazendo ao menos a concessão de que seu discurso “foi sóbrio”.
Mas, na Globonews, tratou de emendar o distanciamento do seu ex-herói:
Aécio Neves fez discurso sóbrio na sua volta ao Senado porque não tentou fazer um grande acontecimento político – e nem tinha ambiente político para isso, mas ele tem razão em alguns pontos. O processo de obstrução de justiça, por exemplo, acho que é um engano, porque tudo o que ele fez, embora seja reprovável e mereça críticas, faz parte da atividade parlamentar, como aprovar lei de abuso de autoridade ou querer anistiar caixa dois. Mas dizer que foi enganado numa armadilha já é exagerado porque ninguém manda parente pegar mala de dinheiro achando que é normal.
De resto, nem Reinaldo Azevedo. Mas sempre evitou a praga dos Versos Íntimos, de Augusto dos Anjos: ao menos alguém assistiu ao enterro de sua última quimera.
Kennedy Alencar fez a mesma comparação que, ontem, aqui, tínhamos chamado de definitiva: a do Aécio de ontem e o de hoje:
O discurso de retorno de Aécio Neves ao Senado mostrou a imensa perda de força política do político mineiro. Basta comparar o discurso de ontem com falas anteriores, especialmente quando Aécio usou a tribuna após perder a eleição presidencial de 2014 e durante a sessão no ano passado que votou o impeachment da então presidente Dilma Rousseff.(…)O tucano não tem mais um futuro político promissor. De certa forma, colheu o que plantou ao não aceitar o resultado eleitoral de 2014.
Bernardo de Mello Franco, na Folha, pontou o que esperavam, no mínimo, os 51 milhões de brasileiros que lhe deram o voto no segundo turno de 2014:
O eleitor que esperava uma autocrítica terá que continuar esperando. Ao descer da tribuna, Aécio ouviu aplausos tímidos e passou a ser evitado pelos aliados. Seu nome só voltaria a ser citado depois de três horas e meia, quando uma senadora do PT se lembrou de criticá-lo.
Mas o conceito definitivo quem dá, mesmo, é o próprio Aécio, em seu Facebook, ao postar o lamuriento discurso, cheio de sabujices a Michel Temer, seu companheiro de malas.
Meu retorno se dá, única e exclusivamente, pela estrita observância da lei, pelo respeito a direitos assegurados e pelo que determina a nossa Constituição.
É verdade, Aécio, porque essa é a única razão que se pode invocar para que seu mandato tenha sido devolvido. Porque, se dependesse dos seus atos, do seu caráter e do mal que você causou à democracia brasileira, você estaria longe do Senado e o mandato que estaria cumprindo seria um de prisão.
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