Solla denuncia compra de remédios 3.000% mais caros no governo Temer

Deputado federal Jorge Solla (PT-BA) apresentou nesta quarta-feira (31) denúncia à Procuradoria Geral da República (PGR) contra o ministro da Saúde, Ricardo Barros, pela compra ilegal de medicamentos junto ao laboratório Blau Farmacêutica; duas compras são questionadas porque o próprio ministério fabrica estes medicamentos – a Alfaepoetina e a Ribavirina – através da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz); em nota, o ministério da Saúde explica o motivo da aquisição dos três medicamentos

Deputado federal Jorge Solla (PT-BA) apresentou nesta quarta-feira (31) denúncia à Procuradoria Geral da República (PGR) contra o ministro da Saúde, Ricardo Barros, pela compra ilegal de medicamentos junto ao laboratório Blau Farmacêutica; duas compras são questionadas porque o próprio ministério fabrica estes medicamentos – a Alfaepoetina e a Ribavirina – através da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz); em nota, o ministério da Saúde explica o motivo da aquisição dos três medicamentos
Deputado federal Jorge Solla (PT-BA) apresentou nesta quarta-feira (31) denúncia à Procuradoria Geral da República (PGR) contra o ministro da Saúde, Ricardo Barros, pela compra ilegal de medicamentos junto ao laboratório Blau Farmacêutica; duas compras são questionadas porque o próprio ministério fabrica estes medicamentos – a Alfaepoetina e a Ribavirina – através da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz); em nota, o ministério da Saúde explica o motivo da aquisição dos três medicamentos (Foto: Aquiles Lins)


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Bahia 247 - O deputado federal Jorge Solla (PT-BA) apresentou nesta quarta-feira (31) denúncia à Procuradoria Geral da República (PGR) contra o ministro da Saúde, Ricardo Barros, pela compra ilegal de medicamentos junto ao laboratório Blau Farmacêutica. Duas compras são questionadas porque o próprio ministério fabrica estes medicamentos – a Alfaepoetina e a Ribavirina – através da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz). A denúncia também foi entregue em mãos ao presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Raimundo Carreiro.

No caso da Ribavirina, medicamento utilizado para o tratamento da Hepatite C, a Fiocruz-Farmaguinhos fornece ao SUS o medicamento desde 2008 com preço unitário de R$ 0,17. Apesar do contrato de aquisição do medicamento junto à Fiocruz ainda estar em vigor, o ministério decidiu não realizar novas compras no segundo semestre de 2016. Em dezembro, já com estoque reduzido, realizou pregão e contratou a empresa Blau no valor total R$ 109.598.164,20 com o custo unitário de R$ 5,19, 3.000% mais caro. O primeiro empenho no valor de R$ 50,9 milhões foi liberado pelo Ministério ao laboratório Blau em 21 de fevereiro.

As irregularidades envolvendo a aquisição do Alfaepoetina, medicamento para pacientes com doença renal e tecidos transplantados, foram atestadas presencialmente por Jorge Solla nesta segunda-feira (29). O deputado visitou o complexo Biomanguinhos, no Rio de Janeiro, e fez registros do estoque de cerca de 3,9 milhões de doses do alfaepoetina, a mesma quantidade que foi adquirida por dispensa de licitação pelo Ministério da Saúde junto à Blau Farmacêutica. A compra, publicada no Diário Oficial do dia 27 de abril no valor de R$63,5 milhões, foi a primeira desde que a Fiocruz estabeleceu parceria com fundação cubana Cimab, em 2005, que previu a transferência de tecnologia da fabricação do medicamento para o Brasil.

A justificativa do governo para esta mudança na política de aquisição de medicamentos seria, conforme nota à imprensa divulgada pelo Ministério no dia 15 de maio, os preços praticados pelo mercado, que teriam ocasionado na dispensa de licitação uma economia de R$ 128 milhões ao ano. Segundo comunicado assinado pelo diretor da Biomanguinhos, Artur Couto, e distribuindo internamente na Fiocruz no dia 19 de maio, a suposta diferença de preço é de aproximadamente R$ 30 milhões. Ele destaca, porém, que por ser a Fiocruz uma fundação estatal subordinada ao Ministério da Saúde e sem fins lucrativos, os preços são definidos em reunião entre o ministério e a entidade.

“O preço praticado no ‘processo de aquisição anterior’ por Bio-Manguinhos considerava os valores pactuados em contrato e discutido com o MS anualmente, conforme consta no oficio 5555/2015/DAF/SCTIE/MS. Em momento algum, durante o processo de discussão dos preços no MS, ocorrido em novembro/16, foi discutido a necessidade de avaliação e redução do preço da Alfaepoetina, diferentemente do que ocorreu com outros produtos”, destacou o diretor, na nota. Segundo ele, o preço médio cobrado pela Fiocruz nos últimos dez anos gerou uma economia de R$ 6 bilhões, se utilizado como base o preço praticado anteriormente.

Na nota, o diretor ainda destaca que a parceria para transferência de tecnologia está em fase final, já que a Fiocruz começará a produzir neste ano o ingrediente farmacêutico ativo (IFA), matéria-prima do medicamento, na nova planta industrial, que recebeu investimento de R$ 478 milhões – durante os últimos dez anos, a Biomanguinhos produziu o medicamento com matéria-prima importada de Cuba. A Blau Farmacêutica utiliza IFA importada da China.

“Temos uma fábrica de meio bilhão de reais, que em poucos meses estará pronta para operar, construída para fabricarmos aqui e barateamos em mais de 40% o custo do medicamento, mas que pode virar um elefante branco porque o governo agora não quer mais comprar da Fiocruz, cancelou o contrato com a Fiocruz, que é do governo”, salientou o deputado Jorge Solla.

O petista também chamou atenção para a dispensa emergencial de licitação para a aquisição de um quantitativo de doses que existe em estoque na Biomanguinhos. “É nosso aquele medicamento, pagamos para produzir ele, e corre o sério risco de perder a validade porque será distribuído outro, da Blau, enquanto a produção em estoque da Fiocruz não tem perspectiva de saída e há lotes com vencimento de julho de 2018”, alertou o petista.

Confira abaixo a explicação enviada por meio de nota pelo ministério da Saúde:

Sobre a denúncia, o Ministério da Saúde esclarece que, para a compra de Ribavirina, A medida foi avaliada pela CGU (Corregedoria Geral da União), com parecer favorável ao Ministério da Saúde. A pasta realizou a compra para evitar o desabastecimento da rede de saúde, garantindo, assim, o atendimento aos pacientes. A medida, pontual e temporária, ocorreu por atraso no fornecimento do produto devido a problemas regulatórios associados a adequação de área física de um fornecedor. O laboratório público informou que retomará o atendimento a partir de agosto deste ano.

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Sobra a compra de Alfapoetina, a concorrência contou com participação de três empresas, inclusive com apresentação de proposta da Fiocruz, sendo que a Blau Indústria Farmacêutica apresentou o menor valor. O contrato prevê o abastecimento do medicamento por até 120 dias. A compra gerou uma economia anual para o Ministério da Saúde de aproximadamente R$ 128 milhões, um desconto de 33% em comparação ao processo de aquisição anterior. O Ministério da Saúde iniciou negociação com a fundação para que a fundação possa oferecer o produto a preço de mercado.

Desde 2004, o medicamento Alfaepoetina humana recombinante faz parte de um acordo entre os governos do Brasil e Cuba. Pelo acordo, a Fiocruz, órgão responsável pelo laboratório público, tem contrato com a empresa cubana CIMAB S.A, que prevê a transferência de tecnologia. Em virtude dos 16 anos do período do acordo, suficientes para sua conclusão, o Ministério da Saúde, por intermédio da Secretaria de Ciência e Tecnologia, visitou o laboratório Bio-Manguinhos e constatou que o produto ofertado no país ainda vinha de Cuba, sendo apenas envazado no Brasil. Após a constatação, o processo foi cancelado.

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Confira nota de esclarecimento da Blau Farmacêutica:

Com surpresa, a Blau Farmacêutica S/A. se viu envolvida em matéria jornalística relatando denúncia realizada por um Deputado Federal do Partido dos Trabalhadores contra o Ministro da Saúde, por prática de suposto Superfaturamento na aquisição de dois medicamentos da Companhia.

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A Blau Farmacêutica é um laboratório 100% Nacional, com 5 subsidiárias pela América Latina que está completando 30 anos em 2017, com mais de 1000 colaboradores, possuindo em seu portfólio mais de 100 medicamentos diferentes de diversas classes terapêuticas, dedicando-se à produção nacional e inovação tecnológica, primando pela seriedade, transparência, correção, legalidade e ética em todos os seus procedimentos, pela oferta de medicamentos seguros e eficazes em respeito à saúde humana.

A excelência e Tecnologia da Blau Farmacêutica é reconhecida não só no Brasil como internacionalmente, estando seus medicamentos presentes em mais de 22 países ao redor do Mundo.

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No exercício de sua atividade econômica, participou de dois processos licitatórios distintos no Ministério da Saúde, sagrando-se vencedora, para ambos os casos, com as melhores propostas para o abastecimento dos medicamentos Alfaepoetina e Ribavirina respectivamente indicados para o tratamento de Insuficiência Renal Crônica e Hepatite C.

Com relação à notícia veiculada de que o Deputado Jorge Solla, do Partido dos Trabalhadores, ingressou com denúncia perante a PGR contra o Ministro da Saúde, a Blau lamenta ter sido envolvida neste conflito aparentemente de ordem partidária, revestida de inverdades em um momento de oportunismo frente à situação política que o país se apresenta.

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Em respeito à total lisura e transparência em seus processos internos, a Blau Farmacêutica S/A sempre estará à disposição dos Órgão de Controle competentes.

 

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