Sindicato protesta contra demissões na editora Abril

O número de jornalistas demitidos ainda é incerto: falou-se em 17, e a empresa afirmou que foram 14 - no total, ocorreram entre 130 e 170 demissões; o Sindicato manifestou sua oposição às demissões, e ainda mais às condições em que ocorreram: a empresa comunicou aos trabalhadores que não pretende pagar no prazo legal as verbas rescisórias e outros direitos

editora abril
editora abril (Foto: Charles Nisz)


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SP 247 - Os trabalhadores e trabalhadoras da editora Abril foram surpreendidos, nesta quarta-feira (13), por uma demissão em massa. Pelas informações que corriam nos corredores da empresa, perderam o emprego entre 130 e 170 profissionais, em sua maioria do setor administrativo e da publicidade e marketing.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) enviou diretores para a empresa tão logo soube do ocorrido para conversar com os jornalistas e combater as demissões. O número de jornalistas demitidos ainda é incerto: falou-se em 17, e a empresa afirmou que foram 14.

O Sindicato manifestou sua oposição às demissões, e ainda mais às condições em que ocorreram: a empresa comunicou aos trabalhadores que não pretende pagar no prazo legal as verbas rescisórias (dias trabalhados, aviso prévio, 13º salário e 13º proporcional, férias vencidas e férias proporcionais, folgas devidas e outros direitos).

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Pela lei, a empresa tem de pagar as verbas até o 10º dia corrido após a demissão, mas está apresentando aos demitidos um texto para a pessoa assinar aceitando o parcelamento em 10 meses, em parcelas iguais, sem qualquer correção. Na última parcela, a empresa se comprometeria a quitar a multa de um salário a mais, imposta por lei (multa do art. 477 da Consolidação das Leis do Trabalho), quando se chega ao 11º dia após a demissão sem a quitação integral das verbas.

O parcelamento corresponde ao “acordo” que a empresa propôs aos jornalistas há mais de três meses, sem aceitar qualquer negociação, e que foi rejeitado pelos jornalistas da empresa em assembleia e pelo SJSP. Por isso, a entidade não aceitou homologar as duas demissões ocorridas antes de 11 de novembro nessas condições.

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Agora, a orientação da entidade para qualquer trabalhador demitido é que se recuse a assinar qualquer documento de parcelamento de verbas rescisórias e procure imediatamente o Sindicato, para que a entidade possa levar uma luta coletiva que garanta o pagamento integral de todos os direitos.

“Não podemos aceitar que uma empresa de propriedade de bilionários, que acumularam uma fortuna com o trabalho de milhares de pessoas que construíram a editora Abril nas últimas seis décadas, agora demita parte de seus trabalhadores e sonegue os seus direitos, usando na prática o dinheiro dos demitidos para financiar as atividades da empresa”, disse Paulo Zocchi, presidente do Sindicato.

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