Sindicalistas companheiros de Lula condenam prisão política
Um grupo de sindicalistas que conviveram com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgaram carta contra a prisão ilegal do ex-presidente; "Nós, ex‐diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de SBC e Diadema, tivemos o orgulho e o privilégio de conviver com o companheiro no período de 1972 a 1980. Tivemos a oportunidade na luta e no dia‐a‐dia de conhecer o seu caráter, a sua honestidade e o seu compromisso com a ética e com a moral", diz o texto, assinado por nove ex-dirigentes; leia íntegra
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247 - Um grupo de sindicalistas que conviveram com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgaram carta contra a prisão ilegal do ex-presidente.
"Nós, ex‐diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de SBC e Diadema, tivemos o orgulho e o privilégio de conviver com o companheiro no período de 1972 a 1980. Tivemos a oportunidade na luta e no dia‐a‐dia de conhecer o seu caráter, a sua honestidade e o seu compromisso com a ética e com a moral", diz o texto, assinado por nove ex-dirigentes.
Leia, abaixo, a nota na íntegra:
Carta de apoio e solidariedade ao companheiro Lula
No ano de 1969, quando você começou a sua militância como diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, tudo era proibido. Era proibido participar, discordar, contestar. Vivíamos num dos momentos mais cruéis da nossa história, da ditadura militar implantada em 1964, com forte repressão política contra o movimento sindical.
Nós, ex‐diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de SBC e Diadema, tivemos o orgulho e o privilégio de conviver com o companheiro no período de 1972 a 1980. Tivemos a oportunidade na luta e no dia‐a‐dia de conhecer o seu caráter, a sua honestidade e o seu compromisso com a ética e com a moral.
Você não fez do Sindicato meio para ficar rico. Saiu do Sindicato cassado, preso e enquadrado na Lei de Segurança Nacional. No seu mandato como presidente do Sindicato, você teve o dom de devolver a dignidade à classe trabalhadora. Naquele tempo os trabalhadores não eram tratados como seres humanos pela classe patronal do ABC.
Você foi e será sempre a causa e a conseqüência de uma tomada de consciência dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.
Estivemos juntos nas greves de 1978, 1979 e 1980. Estivemos juntos também nas articulações iniciais para a formação do PT e nas grandes dificuldades para sua consolidação. Percorremos os mesmos caminhos nas campanhas eleitorais em que você foi candidato. Sofremos junto com você as perseguições, mentiras e injustiças que foram cometidas contra você e sua família.
Em 1982, quando você foi candidato ao governo de São Paulo pelo PT, os locais de votação de SBC foram inundados com a fotografia de uma mansão no Morumbi afirmando que ela era de sua propriedade.
Eleito deputado federal constituinte mais votado do país em 1986, as perseguições se acirraram.
Na campanha presidencial de 1989, sua vida particular e familiar e de sua filha Lurian foram mais uma vez expostas de forma difamatória pelos jornais. A Rede Globo manipulou descaradamente o último debate na TV nas vésperas das eleições para favorecer o seu adversário.
Você disputou e acabou perdendo as eleições de 1989, 1994 e 1998. Mas, em 2002, os mais pobres entenderam que não adiantava reclamar do preço do leite e no dia da eleição votar no dono da vaca. Houve uma mudança significativa nessa lógica e você se tornou o primeiro presidente operário deste país chamado Brasil.
Muita coisa mudou de 2002 a 2010, durante os oito anos em que você foi presidente da República, principalmente nas questões sociais, com a redução da desigualdade e da pobreza.
Cerca de 40 milhões de pessoas foram incorporadas à chamada classe média. Foram retirados 16 milhões de brasileiros da pobreza extremada. A renda familiar dos brasileiros cresceu de forma constante. 19 milhões de empregos foram criados sem perda de direitos trabalhistas. O salário mínimo aumentou em 50% contra uma inflação de 23% ao ano. Vários programas de cunho social foram implantados: Luz para Todos, Programa Minha Casa Minha Vida, Bolsa Família, Prouni e a Integração do Rio São Francisco. No final dos seus dois mandatos na presidência do Brasil, o reconhecimento do povo brasileiro: 85% aprovaram o seu governo.
A morte de sua companheira Marisa não pode ser esquecida por nós que te consideramos. Foi uma morte prematura, e antecipada pela intolerância, ódio e perseguição contra você e a sua família. Numa demonstração de respeito e consideração, mais de 50 mil pessoas passaram pelo velório da Marisa em SBC.
Você tem razão quando afirma que está sendo vítima da maior perseguição jurídica que um político já sofreu. Um procurador afirmou que não tinha provas contra você, mas tinha convicção de sua culpa, e num grande espetáculo midiático pediu sua condenação por corrupção e por lavagem de dinheiro no processo do triplex no Guarujá. Numa sentença, em primeiro grau, Sergio Moro te condenou a 9 anos e 6 meses de prisão. Na segunda instância o TRF‐4, aumentou a pena para 12 anos e 1 mês de prisão em regime fechado.
É inadmissível o ódio e a intolerância, e, ainda mais, a intimidação de pessoas contrárias à caravana realizada por você nos estados do sul do país, com a total conivência de autoridades e policiais nas regiões percorridas. É inadmissível os tiros contra os ônibus num verdadeiro atentado contra você e as pessoas que faziam parte da caravana, inclusive os jornalistas.
Você companheiro, com sua inteligência e sua intuição, já percebeu que tudo está sendo orquestrado nos Estados Unidos. Não te garantem o direito constitucional da presunção da inocência. O que querem mesmo é te prender, para que você não seja novamente presidente da República pela terceira vez como indicam as pesquisas eleitorais.
Lula, nós acreditamos em sua inocência e você será sempre a nossa referência na luta contra qualquer tipo de injustiça.
Nelson Campanholo
João Justino de Oliveira
Devanir Ribeiro
Djalma Bom
Expedito Soares
Claudio Roberto Rosa
Gilberto de Souza Cunha
Gilson Luiz Correia de Menezes
Mariano Palma Villata
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