Serra Dourada tem ato pela paz e cobra justiça no caso Valério Luiz

Jogadores do Goiás vestem camiseta branca na partida contra Avaí com a frase: “Não deixe que o povo esqueça este crime”.  Brutal assassinato do cronista esportivo abalou o Estado, foi condenado pela Unesco, e continua sem elucidação    

Serra Dourada tem ato pela paz e cobra justiça no caso Valério Luiz
Serra Dourada tem ato pela paz e cobra justiça no caso Valério Luiz (Foto: Wesley Costa)


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Goiás 247 – A partida entre Goiás e Avaí pela Série B do Brasileirão, hoje no Estádio Serra Dourada, teve um ato inusitado. Jogadores do esmeraldino entraram em campo com uma camiseta branca que deu início à mobilização da sociedade para elucidar um dos crimes que mais chocou a opinião pública no Estado: o assassinato do cronista esportivo Valério Luiz de Oliveira, de 49 anos, assassinado em frente à Rádio Jornal (820 AM) no dia 5 de julho, por volta das 14h, quando deixava a emissora localizada no Setor Serrinha. Um atirador em uma motocicleta disparou seis vezes e o jornalista morreu antes da chegada do socorro médico.

Os jogadores do Goiás vestiram a camiseta com a seguinte inscrição: “Não deixe que o povo esqueça este crime”. A frase é do pai de Valério Luiz, o veterano cronista esportivo Mané de Oliveira, com larga tradição nos meios de comunicação do Estado. No dia da morte do filho, profundamente abalado, ele fez o apelo que agora se torna ícone de uma campanha de mobilização da sociedade.

Durante toda a manhã de hoje, em emissoras de rádio, TV e redes sociais, cronistas esportivos do Estado vestiram a camiseta branca e convocaram os torcedores a aderir à manifestação. Mané de Oliveira voltou pela primeira vez ao Serra Dourada depois da tragédia e fez um apelo às autoridades para que agilizem as investigações. A manifestação vai se repetir nas partidas entre Atlético e São Paulo, na quarta-feira (25) e entre Vila Nova e Tupi (MG) no sábado (28).

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Centenas de camisetas foram distribuídas para difundir o apelo em defesa da elucidação do crime que chegou a ter repercussão internacional. A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) condenou o assassinato de Valério Luiz. A diretora-geral Irina Bokova pediu urgente investigação a respeito do caso: “É essencial que as autoridades lancem luz sobre o homicídio e garantam o direito humano básico à liberdade de expressão”. De acordo com o órgão, com a execução de Valério Luiz, sobe para 10 o total de jornalistas em atividade mortos no Brasil desde 2009.

Conhecido pelas duras críticas que fazia à estrutura do futebol goiano, Valério Luiz não poupava os erros de dirigentes e jogadores, tendo acumulado adversários ao longo da bem-sucedida trajetória no mundo da imprensa esportiva. Começou como repórter esportivo em 1978, na Rádio Difusora, em Goiânia.

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Valério Luiz, de acordo com relatos de testemunha, foi assassinado por um motociclista em plena luz do diz. Ele usava um blusão azul e fez os disparos contra o carro do jornalista, um Ford Ka preto. A ambulância do Samu chegou ao local para socorrê-lo logo em seguida, mas o cronista não apresentava sinais de vida.

O governador Marconi Perillo imediatamente solicitou ao secretário de Segurança Pública e Justiça, João Furtado Neto, para que escalasse uma equipe para trabalhar com exclusividade no caso. A delegada Adriana Ribeiro, titular da Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH) assumiu o comando do caso. Na tarde de quarta-feira (18) ela ouviu o depoimento do pai Mané de Oliveira. No desespero diante do corpo do filho, o radialista  chegou a afirmar que sabia quem era o mandante do crime, mas depois reflui das declarações. Ele passou então a mobilizar a sociedade e a crônica esportiva, inclusive nacional. “Não nos abandonem. Utilizem todos os recursos das redes sociais. Não deixem a gente sozinho. Vamos achar esse bandido”, conclamou.

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