Sem tino político, Anastasia preocupa aliados
Perfil excessivamente técnico do governador mineiro é comparado ao da presidente Dilma Rousseff, com uma diferença: com menos dinheiro em caixa, o estilo irrita mais no tucano, principalmente os apoiadores do interior do estado. Uma preocupação a mais para Aécio Neves viabilizar-se como candidato competitivo à sucessão de Dilma
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Minas 247 - Num estilo que muitas vezes é citado como muito parecido com o da presidente da República, Antonio Anastasia começa a preocupar seus aliados em Minas Gerais, inclusive gente do próprio PSDB. Diferentemente de Dilma Rousseff, porém, o governador mineiro, até pela menor amplitude do cargo - e, principalmente, por ter menos dinheiro - sofre mais as consequências do pouco traquejo político.
Prefeitos do interior de Minas já reclamam, nos bastidores, do que consideram um perfil exageradamente técnico de Anastasia. No governo tucano, pessoas do círculo mais forte do poder e com características, digamos, mais “políticas”, perderam poder. É o caso, por exemplo, da atual presidente do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas), Andrea Neves, irmã do senador Aécio. Ou do secretário de Governo, Danilo de Castro (PSDB).
Por outro lado, ganharam peso junto ao governador duas secretárias com perfil eminentemente técnico, a da Casa Civil, Maria Coeli Simões Pires, e a de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena. “Esta última é a mulher do não, só sabe dizer não”, reclama um prefeito do interior mineiro.
O colunista Claudio Humberto chegou a falar que, sem a menor paciência para o jogo de negociações, Anastasia causa irritação nas reuniões com o chamado baixo clero da política mineira. “Usa um relógio com alarme a cada 20 minutos, para cronometrar a duração da conversa”.
É um modo de governador totalmente oposto ao do seu antecessor e padrinho político, o que ajuda a aumentar os lamentos. Aécio tem a política no DNA, neto de Tancredo Neves e filho de Aécio Cunha. De perfil conciliador, o ex-governador e hoje senador e presidenciável tucano marcou seu governo em Minas fazendo amigos, na base da conciliação. A parte, digamos, mais “fazedora” de seus dois mandatos foi delegada para Anastasia.
O problema é que, agora, não dá para conciliar tanto. O caixa do governo estadual está na conta certa, o que reduz o raio de ação do governador na hora dos acertos com a base de apoio, principalmente no interior.
O temor de tucanos é que a mágica do “choque de gestão”, que garantiu a popularidade de Aécio e a fama de competente a Anastasia, se desfaça com o tempo. É tudo o que o presidenciável do PSDB menos quer, já que precisa a vitrine de Minas para viabilizar-se nacionalmente. Anastasia sabe disso, mas vive diariamente a contradição de um círculo vicioso: o dinheiro que falta o deixa menos sensível aos apelos dos políticos aliados; e essa dureza “técnica” torna o governo estadual mais frágil, exigindo exatamente maior tino político.
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