Seis meses de mandato: Aracaju não pode esperar, João!
Nesta segunda-feira (1º de julho), o prefeito João Alves Filho (DEM) inicia o sétimo mês de sua administração na capital sergipana, com poucas respostas convincentes para dar ao povo que o elegeu; sua administração ainda não encontrou o ponto de equilíbrio; prova disso foi a ausência de ação para resolver o caos que tomou conta do transporte público no final da semana passada; falta também um projeto para a saúde, um novo modelo para a educação e para a mobilidade urbana
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
EDITORIAL, do Sergipe 247 – Os aracajuanos se viram na semana passada, durante dois dias, numa situação muito incômoda. Não havia transporte público. Em decorrência da paralisação dos funcionários da empresa Viação Cidade de Aracaju (VCA), que estão com salários e demais vencimentos trabalhistas em atraso, os usuários do sistema foram surpreendidos com a falta de ônibus. Improvisaram formas de se locomover para ter acesso aos seus trabalhos e às suas residências.
A precarização dos serviços relacionados à mobilidade urbana é sintomática da falta de um projeto, até o momento, que seja objetivo e que tenha capacidade de resolução para um problema que só se avoluma. Não é a toa que as manifestações que tomaram conta das capitais brasileiras, dos grandes centros metropolitanos e até mesmo de médias e pequenas cidades tiveram seu nascedouro na insatisfação com o transporte público.
Em Aracaju, o prefeito João Alves Filho (DEM) demorou a agir. Demorou até mesmo para dar uma declaração sobre o fato. Sua equipe não foi capaz de debelar a crise. E os aracajuanos ficaram à deriva, limitados em seu direito de ir e vir. E isto não é eufemismo. Na quinta-feira (27), os ônibus deixaram de circular no meio da tarde. No dia seguinte, o transporte coletivo parou no meio da manhã. Não foram poucas as pessoas, que já encontram dificuldade em pagar R$ 2,45 – ou que seja R$ 2,35 (no valor desonerado) – para ter acesso aos ônibus, que não tinham condições de fazer uso de um meio alternativo, como táxi, lotação, transporte escolar ou moto-taxi. Foi, definitivamente, o caos.
Só no final da sexta-feira (28), quando os ônibus tinham retornado, timidamente, a circular, fruto de um acordo entre empresa e sindicatos, é que o prefeito se pronunciou. Afirmou que não admitiria que esta situação voltasse a se repetir – ele disse a mesma coisa quando a VCA deu a primeira do de cabeça para os aracajuanos há pouco mais de um mês. Segundo o prefeito, ele dará celeridade ao processo que iniciará a licitação do transporte público em Aracaju, vista por todos como uma das formas de melhorar o serviço. Disse que procurará o governador em exercício Jackson Barreto (PMDB) para viabilizar que um acordo que integre a região metropolitana.
Iniciando o seu sétimo mês como prefeito de Aracaju nesta segunda-feira, 1º de julho, João Alves Filho tem sido uma decepção. Para todos aqueles que nele depositaram o voto, fruto de uma insatisfação agigantada com a administração anterior. Não dá para captar deste primeiro semestre de administração qualquer perspectiva de um novo modelo de gestão para a cidade. Se há problemas demais, como tem argumentado o prefeito e, principalmente, seus assessores, já não é sem tempo colocar em prática o que foi prometido. Ou, no mínimo, dar sinalizações mais concretas do que será feito em quatro anos – agora três anos e meio – de governança.
Em matéria publicada na edição de domingo/segunda (30/6 e 1º/7) do Jornal da Cidade, a prefeitura faz um pretenso balanço dos primeiros seis meses da nova administração. Aponta como pontos positivos a “mudança” na gestão democrática nas escolas, o pagamento do piso dos professores, o fim do lixão do Bairro Santa Maria, a convocação de novos guardas municipais, o fato de Aracaju ter conseguido o direito de sediar um evento esportivo escolar mundial em 2015, a contratação do escritório Jaime Lerner para elaborar projetos de mobilidade urbana, limpeza de canais e a abertura do diálogo com os servidores (que só ocorreu após o anúncio-surpresa do reajuste de 5%).
Não houve uma linha escrita sequer sobre saúde e sobre a licitação do transporte. Ou seja, em dois pontos primordiais, João não avançou neste primeiro período do seu mandato. Na eleição de 2012, a expressão principal de todo material da campanha do atual prefeito era “Aracaju não pode esperar”. Infelizmente, na prática, não tem sido assim. As pessoas continuam esperando muito por atendimento médico, por realização de exames, por transporte público de qualidade, por um projeto de educação que melhore o sistema municipal, por um asfalto decente para as ruas da cidade, por uma solução ambientalmente correta para o avanço das águas na Avenida Beira-Mar. O aracajuano continua esperando pelo prefeito prometido na campanha.
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247