Se tudo der errado, saída é abrir boutique de vinhos

Ex-senador Demóstenes Torres confidencia a amigos que, se perder o emprego no Ministério Público, pretende inaugurar em Goiânia uma adega com os melhores rótulos do mundo até R$ 80; nos corredores do CNMP, é dado como certo que o ex-democrata sofrerá a punição máxima, a aposentadoria

Se tudo der errado, saída é abrir boutique de vinhos
Se tudo der errado, saída é abrir boutique de vinhos (Foto: UESLEI MARCELINO)


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Realle Palazzo-Martini, do Goiás247_ Na expectativa de seu julgamento pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), o ex-senador Demóstenes Torres já planeja o futuro, caso seja impedido de prosseguir com suas funções no parquet. A amigos próximos, tem confidenciado que, se tudo der errado, planeja abrir uma boutique de vinhos em Goiânia. E com perfil inusitado: os melhores rótulos do mundo por até R$ 80. Profundo conhecedor das grandes estrelas do mercado enológico, o procurador tem a expertise para se dar muito bem no ramo.

A predileção de Demóstenes por vinhos famosos e caros esteve restrita ao seu círculo pessoal até estourar a Operação Monte Carlo, que redundou em sua cassação. Num grampo da Polícia Federal feito em agosto de 2011, o então senador democrata orienta Gleyb Ferreira da Cruz, um dos membros do grupo de Carlinhos Cachoeira, a arrematar um lote de cinco garrafas do mitológico Cheval Blanc safra 1947 numa casa de vinhos de Las Vegas (EUA): “Mete o pau aí. Para muitos é o melhor vinho do mundo, de todos os tempos”, insistiu Demóstenes ao telefone. E concluiu: “Passa o cartão do nosso amigo aí, depois a gente vê”. A brincadeira sangrou o bolso de Cachoeira em algo perto de 14 mil dólares.

Nos tempos de glória, Demóstenes era habituè da adega do deputado federal Paulo Maluf (o maior colecionador dos incomparáveis Romanée-Conti do mundo). Maluf certa vez disse a Demóstenes que, do seu espólio, o mais difícil de avaliar será sua coleção de raridades, que nas contas do pepista, por alto, valeria perto dos R$ 20 milhões.

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A derrocada do ex-senador, porém, não arrefeceu seu desejo por exemplares vistosos e dispendiosos. Hoje, ele frequenta restaurantes famosos no Brasil e na Europa para degustar aqueles entre os mais cobiçados. Num desses bacanais, foi avistado no Gero, um dos mais badalados restaurantes da capital fluminense. O réveillon passou em Paris, longe dos flashes e perto das grandes estrelas de Bordeaux e da Borgonha.

A ideia do ex-senador de abrir uma adega em Goiânia como alternativa profissional começou a ser macerada depois que o CNMP avocou para si processo que tramitava no Ministério Público de Goiás. Na última sessão em que tratou do caso, em 31 de janeiro, o colegiado prorrogou o afastamento de Demóstenes por mais 60 dias. No julgamento final, ainda sem data definitiva, é dado como certo que o CNMP aplicará pena máxima que lhe cabe, a aposentadoria.

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O órgão pode ainda, se considerar que há provas consistentes nos autos da Operação Monte Carlo, recomendar que o Ministério Público de Goiás apresente uma ação civil pública ou uma ação criminal contra o ex-senador. Nesse caso, com sentença transitada em julgado após todos os recursos possíveis e imagináveis, Demóstenes seria demitido com desonras. Poderá perder, inclusive, a aposentadoria, embora isso deva levantar um debate constitucional.

Aí sim, nessa hipótese, Goiânia ganharia uma bela adega de vinhos a preços populares.

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