"Se João não quer assumir a responsabilidade de prefeito, renuncie"
Quem diz isto é o deputado federal Márcio Macêdo (PT), contestando possibilidade de autorização da obra de contenção do avanço das águas sobre a avenida Beira-Mar, proposta pelo prefeito João Alves Filho (DEM), sem os estudos ambientais adequados; segundo prefeito, a avenida “vai cair”, caso a obra que ele projetou não se realize; João acusa presidente da Adema de manter “uma postura de arrogância, mesmo quando a população está em risco”; prefeito joga para a plateia e tenta forçar liberação de obra que aterrará 40 metros do rio; Justiça determinou estudo antes de obra
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Valter Lima, do Sergipe 247 – “A responsabilidade da obra não é da Adema, é de João. Ele é prefeito, eleito pelo povo. A responsabilidade é dele do que vier a acontecer. Se ele não quer assumir a responsabilidade de prefeito, renuncie. Agora, ele tem que resolver essa questão sem atropelar as leis, sem tentar passar uma imagem equivocada do processo. Uma coisa é uma obra de emergência para conter o risco, se é que ele existe, outra coisa é uma obra de engenharia que vai aterrar 40 metros do rio, que vai colocar seis espigões adentro. Não é correto fazer terrorismo para viabilizar uma grande obra como ele quer”.
Quem diz isto é o deputado federal Márcio Macêdo (PT), contestando, de forma veemente, a possibilidade de autorização da obra de contenção do avanço das águas sobre a avenida Beira-Mar, no Bairro 13 de Julho, em Aracaju, proposta pelo prefeito João Alves Filho (DEM), sem os estudos ambientais adequados. Em entrevista ao radialista George Magalhães, nesta sexta-feira (24), na Megga FM, o petista, que é biólogo e ambientalista, disse que a prefeitura deve sim se preocupar em fazer uma obra emergencial de contenção das águas, mas isto não significa dizer que deve ser o projeto de aterramento do rio, como propõe o demista.
As declarações do parlamentar foram motivadas por uma entrevista anterior, no mesmo programa, concedida pelo prefeito, onde ele afirma que a avenida “vai cair”, caso a obra que ele projetou não se realize. João Alves também fez críticas ao presidente da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), Genival Nunes, acusando-o de manter “uma postura de arrogância, mesmo quando a população está em risco”. O que o prefeito quer é que a Adema autorize a obra, mesmo sem os estudos ambientais necessários, o que já foi, inclusive, questionado pela Justiça. No entanto, João ignora este parecer e opta por manter o discurso de que um desabamento pode ocorrer a qualquer momento na área, o que afetaria, segundo ele, até os condomínios residenciais.
“Quero deixar bem claro que a prefeitura não tem culpa. Entramos com todas as licenças ambientais no começo do ano. E a Adema fica procrastinando e exigindo coisas que vão consumir anos. Garanto como engenheiro, que ali vai cair. Conseguimos os recursos para fazer as obras e o cidadão da Adema impediu. Não sei se é questão de ordem ideológica ou porque tem uma aversão especial a tudo que eu faço. Ele partiu para o radicalismo. Ele vê o ambientalismo como inimigo do desenvolvimento. Qualquer obra tem interferência no meio ambiente. A visão moderna é que devemos procurar harmonizar meio ambiente com desenvolvimento sustentável, porque senão teríamos que usar tanga de índio”, ironizou.
Márcio Macêdo, por sua vez, acusa João de terrorismo e de querer “jogar para a torcida” a falsa impressão de que há riscos sérios de desabamento. O deputado, que foi secretário estadual de Meio Ambiente no primeiro Governo Marcelo Déda (PT), defende a atuação da Adema e cobra do prefeito que comprove com estudos os riscos que ele tem apontado para aquela área. “Não tem nenhuma certeza do risco que ele está falando. Não tem nenhum trabalho de modelagem matemática mostrando as conseqüências dessa obra nos rios Sergipe e Poxim, Barra dos Coqueiros, Coroa do Meio, Atalaia Nova. Não sou contra a obra, acho que tem ser feita, mas precisa fazer os estudos necessários, porque senão quem vai responder por alguma catástrofe que ocorrer é quem autorizou a obra”, alertou.
Além disso, Márcio afirmou que o prefeito João Alves Filho precisa compreender que “não pode querer fazer as coisas acima de tudo e todos, tem que respeitar a lei”. “João precisava ter citado a Coroa do Meio, que foi ele quem fez inadequadamente a ocupação e até hoje há uma série de problemas. João quer tentar resolver esse problema com terrorismo sem medir as conseqüências. Esta obra pode criar problemas em outras regiões. A água pode estourar no mercado, na Atalaia Nova, na Coroa do Meio. A única alternativa de João é um aterro de 40 metros e seis espigões? Ou pode ser feita uma obra mais sustentável, mais moderna, que proteja o rio, que estabeleça interação entre a sociedade e o rio?”, pergunta.
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