Sanguessugas foram além do Ministério da Saúde

Denúncia feita pelo Ministério Público Federal à 2ª Vara da Justiça Federal de Minas Gerais dá conta de que o esquema de corrupção conhecido como escândalo dos 'sanguessugas' teve atuação além do Ministério da Saúde (onde teve origem, com desvios de verbas para compras de ambulâncias) e se estendeu à pasta das Comunicações, à época comandado por Hélio Costa (PMDB)

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Minas 247

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou na 2ª Vara da Justiça Federal de Minas Gerais denúncia de que o esquema de corrupção conhecido nacionalmente como escândalo dos sanguessugas teve atuação além do Ministério da Saúde – onde teve origem, com desvios de verbas para compras de ambulâncias –, se estendeu também ao Ministério das Comunicações, à época comandado por Hélio Costa (PMDB).

Matéria publicada em O Estado de Minas detalha as novas denúncias. A investigação se baseou em depoimentos judiciais prestados pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, dono da empresa Planan, pivô das denúncias do Ministério da Saúde. Além dele, figuram como réus da ação o deputado federal João Magalhães (PMDB); o ex-prefeito de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, deputado estadual José Bonifácio Mourão (PSDB); e um servidor público da cidade, Fernando Antônio Pinto.

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Segundo o MPF, Vedoin soube, pelo deputado João Magalhães, de uma emenda parlamentar liberada pelo Ministério das Comunicações, no valor de R$ 350 mil, o que originou um acordo entre os dois.

O grupo da Planan, de Vedoin, foi o contratado para prestar um serviço que prepararia ônibus, equipados com computadores e internet, destinados ao ensino de informática em áreas rurais. Em troca, o empresário teria pago R$ 42 mil a Magalhães, entregues pessoalmente em notas de R$ 50.

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No depoimento, Vedoin afirma ainda que Magalhães teria indicado "pessoas de confiança" para serem os contatos da Planan na Prefeitura de Governador Valadares.

A denúncia do MPF acusa fraude no próprio edital de licitação, que teria sido elaborado por membros da própria Planan. Segundo o texto, em 2010, quando o ministério foi vistoriar a aplicação de seus recursos transferidos para Valadares, o chamado "telecentro móvel" estava parado havia mais de dois anos na garagem da Secretaria Municipal de Obras. O motivo era falta de manutenção, e todos os equipamentos apresentavam defeitos.

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Além da Planan, duas empresas participaram da licitação: a Marco Polo S.A. e a Valadares Diesel Ltda. Com um valor de R$ 349 mil, a proposta vencedora, da empresa de Vedoin, apresentava o fornecimento de um ônibus Marcopollo Volare V8. O preço do veículo, no entanto, era "sensivelmente mais baixo" do que o apresentado pela própria empresa que fabricava o ônibus, a Marco Polo S.A.

Entenda o caso

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Em maio de 2006, uma operação da Polícia Federal desmontou um dos maiores esquemas de corrupção envolvendo o Congresso Nacional e que acabou conhecido nacionalmente como a máfia dos sanguessugas.

De acordo com as investigações, deputados federais e senadores indicavam emendas para a compra de ambulâncias em troca de propina paga pela Planan, empresa do Mato Grosso, que, com outras fornecedoras de unidades móveis de saúde, comandava as fraudes, que se estenderam por 591 municípios do país.

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A comissão parlamentar de inquérito criada no Congresso Nacional para investigar o caso denunciou 72 parlamentares. Até hoje não houve nenhuma condenação definitiva de nenhum dos parlamentares envolvidos.

Veja aqui a matéria completa em O Estado de Minas.

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