Rio+20 ignora Minas, maior desmatador da Mata Atlântica

Estado é ignorado pelo evento internacional em debates sobre o uso sustentável da Mata Atlântica. Entre 2010 e 2011, Minas foi quem mais perdeu extensão do bioma, representando quase 50% do total nacional

Rio+20 ignora Minas, maior desmatador da Mata Atlântica
Rio+20 ignora Minas, maior desmatador da Mata Atlântica (Foto: Divulgação)


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Minas 247 – Embora seja responsável por grande parte do desmatamento da Mata Atlântica, nenhuma proposta com soluções para a questão foi discutida envolvendo cidades mineiras. Cidades do Norte e Vale do Jequitinhonha aparecem como as que mais tiveram perdas no Brasil.

Confira a matéria do jornalista Amilcar Brumano, do jornal Hoje em Dia

RIO – Estado brasileiro com a maior extensão de Mata Atlântica perdida entre 2010 e 2011, Minas Gerais foi ignorada na Rio+20, durante o debate sobre o uso sustentável do bioma, realizado neste sábado (16) governamentais, órgãos do governo federal e programas preservacionistas debateram as ações necessárias para evitar o desmatamento e gerar renda para a população a partir da floresta de pé. Porém, nenhuma proposta concreta de iniciativas voltadas para municípios mineiros foi apresentada ou discutida.

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Segundo levantamento divulgado no fim de maio pela Fundação SOS Mata Atlântica, no período de um ano o Brasil perdeu 13,3 mil hectares do bioma e Minas foi responsável por 6,3 mil hectares. Cinco municípios mineiros estão entre os 11 no país que mais tiveram perdas, todos nas regiões Norte e Vale do Jequitinhonha e Mucuri. O principal motivo seria o corte de floresta nativa para a fabricação de carvão vegetal e a agropecuária.

Os debatedores chegaram à conclusão de que é preciso fomentar atividades econômicas que não destruam a Mata Atlântica e ainda ajudem a preservá-la, tendo como parceiros as comunidades e fazendeiros que vivem no âmbito do bioma. O desafio é encontrar o que o mercado quer comprar. “O entrave é a comercialização. Estamos tentando apoiar a criação de cooperativas e estimular o acesso às políticas do governo”, diz um dos coordenadores do programa Mercado Mata Atlântica, Marcelo Mendes.

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Secretário-executivo do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, Pedro Castro destaca que faltam investimentos e capacitação técnica para proprietários de terra que queiram trabalhar com a produção de sementes e mudas de vegetação típica do bioma. Além disso, o mercado não está organizado no sentido de exprimir a demanda necessária. “Precisamos de uma cadeia produtiva estruturada. O mercado tem que se programar, definir qual a quantidade de mudas e sementes vai precisar e em quanto tempo, para que os produtores possam se planejar. Sem esse planejamento, nem conseguimos financiamento junto aos bancos, pois eles querem garantias”, afirma. “É preciso mapear as tendências e necessidades de cada região”, completa.

Foi apresentado como exemplo de preservação que está dando certo o programa realizado com comunidades no Vale do Ribeira, entre São Paulo e Paraná. Lá, as comunidades foram capacitadas para usar os insumos retirados da floresta, sem derrubá-la.

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A coordenadora-geral da Rede de ONGs da Mata Atlântica, Ivy Wiens, culpa a falta de clareza no mapa dos biomas do IBGE, que não define precisamente o que é ou não Mata Atlântica, pela situação vivida em Minas. Segundo o MMA, o mapa tem resolução baixa, escala de 1:5.000.000, mas um com melhor definição, escala de 1:1.000.000 está sendo elaborado. Ainda assim, essa resolução não é suficiente para precisar os biomas. Isso significa, segundo Ivy, que florestas podem estar sendo derrubadas porque não se tem o conhecimento exato de que são Mata Atlântica.

Questionado pelo Hoje em Dia, o diretor de Florestas do MMA, Fernando Tapagibe, disse que o Norte de Minas está sendo observado e que uma parceria entre o ministério e três universidades (Unimontes, UFMG e Universidade dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri) foi firmada para estudar soluções para a região.

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Por telefone, o secretário de Estado de Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e Norte de Minas, Gil Pereira, também questiona o mapeamento do IBGE. Ele defende a necessidade de se desmatar algumas áreas para a implantação de projetos que levem o desenvolvimento para a região. “Tem área no que o mapa apontada como Mata Atlântica que não é”, diz. Ele também reclama da falta de investimentos na região em projetos como o realizado no Vale do Ribeira.

Já o assessor técnico do projeto Proteção da Mata Atlântica 2, do MMA, Armin Deitenbach, afirma que serão feitos cursos em Minas para as cidades elaborarem planos municipais de conservação e recuperação do bioma, em parceria com o Instituto Estadual de Florestas de Minas (IEF) e a Associação Mineira de Municípios (AMM). Ainda não há data para isso acontecer.

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