Revista da CAASP: a estrutura de startups é sempre enxuta

O custo da hora trabalhada é semelhante ao do que as empresas tradicionais (ou autônomos) cobram. A vantagem é que a startup só trabalha com profissionais permanente avaliados pelos clientes (com um sistema de estrelas, semelhante ao do Uber) e também sem antecedentes criminais.

Revista da CAASP: a estrutura de startups é sempre enxuta
Revista da CAASP: a estrutura de startups é sempre enxuta


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Por Carvalho Gil na Revista da CAASP, revista da Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo.

Se alguém decide abrir um restaurante ou uma loja de roupas, vai ter que alugar ou comprar prédio e mobiliário, formar estoque, contratar funcionários e gastar com publicidade. Dependendo do tamanho do negócio, terá que desembolsar R$ 1 milhão. Ou até uma quantia superior. Já uma startup não precisa de nada disso. Mas, para ter sucesso, requer algo que não pode ser definido em moeda sonante, não tem preço. É uma ideia que facilite a vida das pessoas. Se for uma ideia genial, o autor pode ficar rico. Se for autor e, ao mesmo tempo, empreendedor, o céu é o limite.

Foi de olho nas dificuldades dos advogados para contratar correspondentes que Tomaz Chaves criou, no final de 2013, a Juris, hoje o principal veículo para para a localização e contratação decolegas em outras comarcas. Tomaz é advogado, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais. Quando advogava, já existiam sites que ofereciam cadastro para correspondente, mas ele achava que a tecnologia poderia oferecer algo mais dinâmico e com um banco de dados maior.

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“Eu percebi que havia uma procura muito grande por correspondentes. Os sites que existiam faziam essa intermediação, mas já havia ferramentas para algo mais específico”, afirmou. Ao falar de startups, dificilmente se usa a palavra empresa, embora as startups tenha personalidade jurídica e CNPJ.

O conceito, porém, é outro. Na entrevista realizada com Tomaz Chaves, os termos que fluíram são plataforma, empreendimento, site, negócio, oportunidade. Não se falou uma única vez empresa. “Eu sou apaixonado por empreendedorismo digital”, afirmou.

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Aos 29 anos de idade, já formado em direito, conciliava a advocacia com um site de cupons, para descontos no comércio de Belo Horizonte. A empresa, que ele mantinha com dois sócios, durou dois anos. “Nós fomos devorados pelos sites de compras coletivas’, afirmou, bem humorado.

Nas startups, o alto grau de incerteza é próprio da atividade, daí porque não existe nenhum grande trauma quando um tubarão (ou peixe urbano, como foi o caso dele) vem e devora tudo, se impondo no mercado. “A internet é disruptiva, vem uma nova iniciativa e muda todo o modelo de negócio”, comenta, com o uso de uma palavra que é própria desses novos tempos - disrupção.

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É uma palavra adaptada ao português — vem do inglês "disruption", que significa desmoronar. Em português, a palavra seria diruir ou derruir, mas não há vocabulário que possa com a força desses novos conceitos, nascidos no Vale do Silício, onde os quadros da Universidade Stanford implantam startups em série.

Um deles, todo mundo já ouviu falar: Steve Jobs, criador da Apple. Outro também: Bill Gates, da Microsoft. Mark Zuckerberg, do Facebook, começou seu negócio longe dali, na outra costa, em Harvard, mas a rede social não chegaria aonde chegou se ele não tivesse sido contaminado pelos espíritos (ou quadros) do Vale do Silício.

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No novo negócio, em que a startup é o produto, há uma meca, Vale do Silício, Califórnia, e uma língua, o inglês.

De certa forma, a prosperidade do negócio também está associada a um traço muito próprio da cultura norte-americana: o objetividade e a praticidade. O conceito do descartável, que fez surgir pratos e copos de plástico no lugar da louça e do vidro, se incorporou à era da informação, e é assim que se faz mais dinheiro: com objetividade e praticidade. Não há tempo a perder.

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Por isso, se uma startup não dá certo, ninguém chora. O dia seguinte é a oportunidade de colocar em prática uma nova ideia.

Tiago Alexandre Lira dos Santos viu uma oportunidade surgir quando trabalhava num negócio de logística, em Pernambuco, em sociedade com Fábio dos Santos Freire.

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“A grandes empresas, com lojas espalhadas em todo território nacional, precisam de suporte de TI (tecnologia da informação) para todos os seus pontos de venda. Se ela tiver um técnico para cada loja, a conta não fecha”, diz, para explicar como foi que sua empresa, a Find Up, nasceu. Os dois se uniram a um terceiro sócio, Gustavo Luiz de Sá Ferreira, e criaram a plataforma para oferecer técnicos em todo o território nacional.

Hoje, a startup deles tem o cadastro de 5000 técnicos em 550 municípios brasileiros. Se um cliente precisa de suporte, usa o aplicativo — semelhante ao Uber, também uma startup, no setor de mobilidade urbana — e em, no máximo, três horas um técnico já estará no local, para prestar serviço de tempo pré-definido, em que deverá procurar soluções para todos os problemas apontados pelo cliente.

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O custo da hora trabalhada é semelhante ao do que as empresas tradicionais (ou autônomos) cobram. A vantagem é que a startup só trabalha com profissionais permanente avaliados pelos clientes (com um sistema de estrelas, semelhante ao do Uber) e também sem antecedentes criminais.

“Os técnicos passam por uma avaliação antes de serem incorporados à plataforma. E também apresentam atestados dos órgãos de segurança pública, para termos certeza dos bons antecedentes”, conta Tiago.

A segurança e a credibilidade são as diferenças da startup em relação a uma empresa tradicional e também ao serviço remoto, oferecido por diversas companhias. “É normal que você fique inseguro com uma pessoa que entra no seu computador, mexe em tudo e você não sabe nem quem é. É arriscado”, observa.

A Find Up foi criada em 2014 e, em três anos, cresceu muito. Hoje atende grandes clientes, com pacotes específicos, e tem, em média 4,5 mil atendimentos por mês. “No início, nós não tínhamos nem pró-labore. Não somos de família rica e tivemos muita dificuldade até o negócio se consolidar.

A empresa cresceu tanto que chamou a atenção de investidores. Um fundo de São Paulo colocou dinheiro na startup, no sistema típico desse setor da nova economia: se tornou sócio. Se a Find Up for vendida para um grupo maior ou se distribuir lucro, o fundo receberá na proporção de sua participação no negócio.

Por contrato, Tiago não revela o nome do grupo nem o valor investido. Só diz que são minoritários. “O controle do negócio é nosso”, diz. Tanto a Find Up quanto a Juris, a plataforma de correspondentes, são conveniadas com a CAASP e oferecem serviços com descontos.

O convênio com serviços de assistência em TI, por exemplo, surgiu no momento em que os todos os processos se tornaram eletrônicos, o computador passou a ter uma importância ainda maior e as impressoras que fazem digitalização não podem ficar com defeito, para não atrapalhar o protocolo de petições ou a juntada de documentos.

“Todo escritório de advocacia hoje precisa de TI e, quando você tem um serviço ágil e com preços vantajosos em relação à média do mercado, muito melhor para o advogado. Nosso Clube de Serviços está sempre aberto para parcerias desse tipo, que resolvam o problema do advogado. A CAASP existe para servir aos advogados”, lembrou o diretor da CAASP Adib Kassouf Sad, no dia em que foi assinado o convênio com a Find UP.

No universo das startups, há uma infinidade de serviços e muitos já estão próximos do advogado, através do Clube de Serviços. Precisa se alimentar no escritório ou mesmo em casa, se não quer cozinhar? Tem o a Liv Up. Não quer usar esse aplicativo, tem outro, o Keep Light.

O desconto é próprio do convênio — se não houver descontos efetivos, não entra no Clube de Serviços da CAASP. Se o serviço falha, sai. Mas é da natureza da startup cuidar da qualidade: o mau profissional não dura muito tempo.

Precisa lavar o carro e está sem tempo para ir a um lava rápido? O lavador vai até você. Basta acionar o Easy Carros. Outras parcerias com startups vão surgir, não apenas porque os bons serviços estão no radar da CAASP, mas, principalmente, porque as startups ocupam cada vez mais espaço no cotidiano de todos.

A Juris, que se tornou a maior empresa que aproxima advogados, ampliou sua linha de produtos. Agora tem também o Dubbio, para ajudar as pessoas a encontrar os advogados. Não se trata de publicidade, que é proibida pelo Código de Ética dos Advogados, mas de uma plataforma que divulga artigos e entrevistas de profissionais.

Um dos temas tratados nesse conteúdo pode ser exatamente aquilo que preocupa o potencial demandante. Através da plataforma, o leitor poderá localizar o profissional e iniciar o relacionamento.

No universo das startups, o mais importante é estar sempre ao alcance das mãos do cliente, no celular. Mas isso não aconteceria se ele não estivesse na mente e, para isso, é preciso ter estratégia de comunicação e não falhar.

A estratégia não é a publicidade tradicional. É a aproximação por conteúdo. É o caso do Juris e do Dubbio, que oferece textos e vídeos gratuitos, para criar no público um sentimento de comunidade.

A partir daí, os serviços são contratados. Mas isso não basta. É preciso se aprimorar sempre, para continuar sendo útil e eficiente ao público. No fundo, nessa nova economia, o empreendimento nunca deixa de ser uma startup. Tem que se renovar ou renascer permanentemente.

E, para isso, não é necessário nenhuma grande estrutura. É preciso a ideia e iniciativa para transformar a ideia em coisa concreta — em outras palavras, empreender. Nessas empresas, pelo volume de recursos que movimenta e o serviço que oferece, muita gente imagina em grandes estruturas.

Nada mais enganoso. A estrutura é sempre enxuta, com poucos colaboradores e, muitas vezes, não fica num único local. No caso do Juris, por exemplo, são onze profissionais liderados por Tomaz. Os dois desenvolvedores ficam na Colômbia enquanto a empresa ocupa as instalações do Órbis, um local recém-inaugurado de Belo Horizonte, semelhante ao Cubo, do Google, onde atuam os novos empreendedores. O negócio deles está na nuvem. Mas não avança se, de alguma maneira, não tiver raízes bem fincadas no chão.

Leia a reportagem completa aqui.

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