Reunião sigilosa define rumos do PT em Pernambuco
Desde o início desta tarde, uma reunião sigilosa entre os grupos rivais do PT pernambucano e a direção da legenda está acontecendo na sede do partido, em São Paulo; estão reunidos com o secretário geral do PT, Paulo Teixeira, os deputados federais Pedro Eugênio, João Paulo, Fernando Ferro e a deputado estadual Teresa Leitão, além do senador Humberto Costa; a reunião é mais uma tentativa de estabelecer a união interna visando fortalecer o palanque estadual em prol da reeleição da presidente Dilma Rousseff
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Leonardo Lucena_PE247 – A reunião entre os grupos rivais do PT pernambucano, que está ocorrendo desde o início da tarde desta quarta-feira (12), na sede do partido, em São Paulo, era para acontecer debaixo de “sete chaves”, em sigilo. Estão reunidos com o secretário geral do PT, Paulo Teixeira, os deputados federais Pedro Eugênio, que também preside o partido no Estado e apoia a ala do ex-prefeito do Recife, João Paulo, Fernando Ferro e a deputado estadual Teresa Leitão, que apoiam a ala do ex-chefe do Executivo recifense, João da Costa. Também estão presentes ao encontro o senador Humberto Costa e o deputado federal João Paulo. A reunião é mais uma tentativa de estabelecer a união interna visando o pleito estadual de 2014. Após passar pela maior crise política de sua história, o PT de Pernambuco ainda se encontra desunido.
Além da união interna para fortalecer o palanque em prol da reeleição da presidente Dilma Rousseff, a pauta também engloba o Processo de Eleições Diretas (PED), que ocorrerá em novembro deste ano, com o objetivo de renovar os diretórios municipais, estaduais e nacional do PT. Ainda não se sabe com exatidão, mas foi cogitada a presença do ex-presidente Lula no encontro. Inclusive, os membros do partido avaliariam uma possível vinda de Lula ao Recife para dar os primeiros passos visando à união interna e o consequente fortalecimento do palanque petista para apoiar à reeleição da presidente Dilma Rousseff.
Ainda sobre a visita de Lula, informações do Blog da Folha dão conta de que o PT nacional estaria disposto a desenhar um plano com o objetivo de impedir rumores acerca de um possível encontro entre o ex-presidente e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que, embora ainda seja aliado oficial do PT, ensaia uma candidatura à Presidência da República em 2014.
De qualquer maneira, a principal preocupação, no momento, é a união intrapartidária no PT pernambucano. Desde o início da gestão de João da Costa, em 2008, o então prefeito estava brigado com o seu antecessor, João Paulo, por motivos não totalmente esclarecidos. Mas o “estopim” da desunião interna se deu no primeiro semestre do ano passado, durante o processo das prévias partidárias, que foi disputada entre João da Costa e o então deputado federal Maurício Rands, este apoiado pelo presidente do PT no estado, Pedro Eugênio, pelo governador Eduardo Campos e pelo próprio João Paulo.
Sob denúncias de fraudes e intensos ataques, inclusive, pessoais, a Direção Nacional do PT cancelou a disputa e apresentou o senador Humberto Costa para ser o candidato oficial do partido na eleição do Recife para não colocar em risco a vitória do PT e estabelecer um consenso interno. Mas isso não foi possível. O candidato indicado por Eduardo Campos, o ex-secretário estadual de Desenvolvimento Econômico Geraldo Júlio venceu ainda no primeiro turno e acabou com a hegemonia de 12 anos dos petistas frente à Prefeitura do Recife.
Passada as eleições, o partido teve dificuldades até para realizar reuniões e, no ato de comemoração dos 33 anos da legenda, por exemplo, em março deste ano, os grupos de João Paulo e João da Costa brigaram, uma vez que os petistas ligados a Costa não tiveram seus nomes citados no cerimonial. Em consequência, o atual secretário de Habitação do Recife, Eduardo Granja (PT), chamou de “frouxo” o presidente da legenda em Pernambuco, Pedro Eugênio. Também houve gente aclamando “Hipocrisia! Cadê a democracia!”.
O fato é que o PT passou pela maior crise política de sua história e nem mesmo Lula foi capaz de aparar as arestas dentro da legenda – lembrando que o ex-presidente não chegou, sequer, a desembarcar na capital pernambucana para manifestar o seu apoio a Humberto Costa, restringindo a sua participação no guia eleitoral.
Agora, em meio à eleição (presidencial) considerada a mais antecipada da história brasileira, resta saber se o ex-presidente Lula está disposto a tomar a dianteira para apaziguar os ânimos dentro do PT pernambucano com vistas às eleições presidenciais de 2014. Um pleito no qual a união interna da legenda no Estado será importante para a presidente Dilma alavancar os seus votos na terra que é reduto tanto dela como do seu provável adversário, o governador Eduardo Campos (PSB).
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