Renan preserva Senado e se fortalece com Dilma

Presidente Dilma Rousseff acabou concordando com a decisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de não pautar a medida provisória que reduz a tarifa de energia; o peemedebista cumpriu a promessa de não votar nenhuma MP com menos de 7 dias para vencer, contrariando vontade do governo; a questão foi contornada pelo Palácio do Planalto incluindo a desoneração em outra MP, e, com crédito desde a aprovação da MP dos Portos, Renan saiu ganhando dentro e fora do Congresso

Renan preserva Senado e se fortalece com Dilma
Renan preserva Senado e se fortalece com Dilma (Foto: WILSON DIAS)


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Alagoas247 - A presidente Dilma Rousseff reconheceu nesta terça-feira, em uma reunião no Palácio do Planalto, que a decisão do Senado, do presidente Renan Calheiros e do PMDB foi acertada. Nota no Blog do Camarotti diz que o governo resolveu sinalizar que tinha um "plano B" ao indicar mecanismos para manter o desconto. O conteúdo das matérias acabou incluído em outra MP já em tramitação.

"Eu acho que foi uma saída que preserva o interesse nacional. E qualquer solução, preferencialmente, tinha que ser dada pela Presidência da República. Um arranjo legislativo serve também, mas MP é de iniciativa da presidente", avaliou Renan. A ministra Gleisi Hoffmann, chefe da Casa Civil da Presidência da República, anunciou que o conteúdo da MP 605 será colocado como emenda à MP 609, que trata da desoneração da cesta básica e pode ser votada até 5 de julho.

A MP 605 chegou a ser votada pela Câmara ontem, mas o presidente do Senado decidiu manter o compromisso firmado com os senadores de que não leria em plenário as medidas provisórias que chegassem à Casa com prazo de vencimento menor do que sete dias. Essa MP vence na próxima segunda-feira. Para Renan, a posição política adotada pelo Senado visa a preservar as prerrogativas dos senadores de votar e, eventualmente, alterar o conteúdo das MPs.

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Os senadores cobraram a postura do presidente porque muitas medidas provisórias chegavam para votação com apenas um ou dois dias de prazo, o que impossibilitava a aprovação de qualquer emendas, sob pena de a matéria perder a validade porque teria que retornar para a Câmara dos Deputados. "O que não podia acontecer é o Senado ter menos de sete dias para avaliar a medida provisória. Assim, não teríamos como afirmar o Senado no processo legislativo", disse Renan.

Ontem, ele se recusou a ler a MP 605 e a MP 601, que desonera a folha de pagamento de vários setores da economia, mesmo diante de protestos dos líderes governistas que apelavam para que o dia de chegada das medidas provisórias ao Senado também contasse no prazo de sete dias estabelecido no acordo com os demais senadores.

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Pressão

Como consequência da aprovação da MP dos Portos, o governo aliviou a pressão em cima do presidente do Senado. No Planalto, a avaliação é de que Renan já havia sofrido forte desgaste na votação da MP dos Portos, quando derrubou todos os prazos para ajudar o governo. Como consequência, ele teria ficado com um grande crédito. Dilma reafirmou a parceria com o PMDB como primeiro aliado do Palácio do Planalto. A presidente se diz agradecida com os senadores Renan e José Sarney, a quem vai continuar recorrendo como conselheiros na relação com o Legislativo.

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Renan participou das articulações para colocar a emenda da redução nas tarifas de energia na MP 609. No fim das contas, o Palácio do Planalto entendeu o posicionamento do Congresso, evitando mais desgastes. "Na defesa do papel constitucional, não havia outra coisa a fazer a não ser deixar de ler as medidas provisórias", concluiu Renan.

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