Renan: Congresso precisa ouvir manifestações
Na visão do presidente do Senado, o Brasil mudou e tem novas demandas; usando uma metáfora futebolística, Renan Calheiros (PMDB-AL) disse que à seleção brasileira não basta mais a camisa, mas precisa jogar.; "É um direito legítimo, que precisa ser respeitado. O Congresso tem que materializar esses direitos que a sociedade está cobrando", disse
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Da Agência Senado - O Congresso Nacional precisa recolher o sentimento das manifestações populares. A declaração foi dada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, nesta terça-feira (18), a respeito da onda de protestos que levou milhares de pessoas para as ruas de diversas cidades do país nos últimos dias. Na noite dessa segunda-feira (17), quase 10 mil pessoas estiveram em frente ao Congresso, protestando contra os gastos feitos governo para a Copa do Mundo e pedindo mais investimentos em saúde e educação.
Renan disse que o Congresso é a representação do povo e vai continuar aberto às demandas da população. Para ele, os parlamentares precisam rapidamente dar respostas à sociedade. O presidente confirmou que deu ordens à Polícia Legislativa para não reprimir a manifestação dessa segunda e disse que contra "o excesso de democracia, mais democracia". Na visão de Renan, o Brasil mudou e tem novas demandas. Usando um exemplo do futebol, o presidente disse que à seleção brasileira não basta mais a camisa, mas precisa jogar.
- É um direito legítimo, que precisa ser respeitado. O Congresso tem que materializar esses direitos que a sociedade está cobrando – afirmou.
Mais
Para o senador Romero Jucá (PMDB-RR), o Congresso está fazendo a sua parte. Ele citou a nova divisão dos recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e os novos direitos dos empregados domésticos como exemplos. Com as manifestações, segundo Jucá, novas demandas foram apresentadas – como a questão do preço das passagens e a cobrança por melhores serviços públicos.
Jucá lembrou o projeto de lei da Câmara (PLC 310/2009) que institui o Regime Especial de Incentivo para o Transporte Coletivo Urbano e Metropolitano de Passageiros (Reitup). Na prática, a proposta, que está em análise na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), desonera o transporte público – medida que pode diminuir o preço das passagens. O senador disse que é preciso discutir como atender às reivindicações da população. Jucá disse que os políticos não precisam se assustar com os protestos, mas devem buscar ensinamentos nas manifestações populares.
- A ausência de líderes partidários mostra que não é uma mobilização eleitoral. Nasceu na sociedade e cresceu por motivos diferentes. A população quer mais. Tudo isso tem que ser levado em conta – afirmou Jucá.
Mobilidade
O líder do governo no Senado, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), disse que as manifestações mostram um movimento novo, que precisa ser compreendido "com humildade". Braga disse que, depois da mobilidade econômica que o Brasil viveu nos últimos anos, vem a mobilidade social, com novas demandas.
- A mobilidade social transforma o povo brasileiro. Cabe às várias esferas do governo dar as respostas – declarou.
O senador afirmou que os protestos são legítimos, mas lamentou os atos isolados de depredação do patrimônio público. Para Braga, não há como responsabilizar os governos federal, estadual ou municipal nem "o partido A ou B" como culpado pela insatisfação da sociedade. Ele lembrou que a presidente Dilma Rousseff, no passado, era um desses jovens que lutava pela transformação do país.
- Estamos diante de um novo momento da democracia brasileira - concluiu.
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