Relação PT-PMDB: Dora defende tese de Geddel

Ex-ministro da Integração Nacional e atualmente um dos vice-presidentes da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima defendeu que o debate entre PT e PMDB "saia do campo da intriga e aconteça à luz do dia", para colunista do Estado, "postos os pingos nos is, cabe aos brigões decidir se vão, se racham ou se preferem continuar aos trancos para ver como é que na hora H ficam os barrancos"

Relação PT-PMDB: Dora defende tese de Geddel
Relação PT-PMDB: Dora defende tese de Geddel


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247 – A colunista Dora Kramer defende um acerto de contas objetivo entre o PT e PMDB, que há tempos alimentam uma guerra fria no governo. Leia o artigo do Estadão:

Pingos nos is

"Alguém precisa furar esse tumor, explicitar a questão. Até para que o debate saia do campo da intriga e aconteça à luz do dia", diz o ex-ministro da Integração Nacional e atualmente um dos vice-presidentes da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima, sobre sua decisão de falar publicamente e sem ambiguidades sobre os atritos entre governo, PT e PMDB.

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E o que diz ele? Em resumo, que os conflitos se avolumam, cresce a tendência de os pemedebistas lançarem candidatos próprios nos Estados em 2014 e, se continuar nesse ritmo, mais adiante há o risco de a convenção do PMDB não aprovar a renovação da aliança com o PT.

"Não acho salutar esse jogo nebuloso em que prospera a rasteira em prejuízo do diálogo. É uma situação muito ruim para todo mundo. Administrativamente devo lealdade ao governo, mas não posso esquecer que politicamente milito no PMDB."

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Não tem nada combinado com a direção do partido, Geddel não se intitula porta-voz dos insatisfeitos nem carrega a bandeira da ruptura. "Faço uma constatação, não uma pregação." Trata-se, segundo ele, de uma resolução unilateral com dois propósitos: sentir o "pulso" do PMDB sobre a consistência das crescentes reclamações e levar a uma solução do problema.

Para o bem ou para o mal. Ou se estabelece com transparência o entendimento ou se chega à conclusão de que em 2014 os dois maiores parceiros da aliança que sustentam o governo vão brincar separados. Uma terceira hipótese é a de essa manifestação cair no vazio e as coisas continuarem como estão - na base da intriga de bastidor em clima de tensão permanente.

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Nesse terreno meio movediço ninguém sabe direito qual o tamanho real da encrenca nem se o que move os queixosos é a política ou o fisiologismo em estado bruto.

Se a opção for recorrer aos panos quentes, se a escolha for por "abafar o caso", isso vai significar que o partido prefere atuar na dinâmica do estresse para não se arriscar a perder algumas benesses que ainda lhe rende a condição de aliado preferencial, mas sem abrir mão do gestual de protesto.

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"Digo isso claramente porque as pessoas estão com medo de falar sobre os efeitos da antecipação do processo eleitoral, que antecipou também a explosão das angústias estaduais."

Em miúdos: o PMDB se vê alijado do centro do poder federal. Embora ocupe a vice-presidência da República, ministérios e um punhado de cargos, não participa das decisões de governo.

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Com isso, fica regionalmente desguarnecido para montar palanques fortes, eleger governadores e formar grandes bancadas no Congresso de onde vem a força do partido desde que desistiu de construir seu próprio projeto nacional mediante a disputa da Presidência da República.

Na última eleição municipal o número de prefeituras do PMDB foi reduzido significativamente. Segundo avaliação interna, isso ocorreu muito em função de o partido ter-se colocado a reboque dos interesses eleitorais do PT.

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A se repetir esse padrão em que aos pemedebistas fica sempre reservado o papel de coadjuvantes, a consequência pode ser a redução da representação do partido no Parlamento e daí a perda de influência em decorrência do esvaziamento do principal ativo do partido.

A proposta de Geddel Vieira Lima é que as cartas sejam postas na mesa com franqueza: o PMDB diga ao governo que precisa de instrumentos e autonomia para preservar sua condição de partido com presença importante no cenário nacional e o governo diga ao PMDB se há espaço para convivência ou se ao PT o que interessa mesmo é ser o dono absoluto da bola.

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Postos os pingos nos is, cabe aos brigões decidir se vão, se racham ou se preferem continuar aos trancos para ver como é que na hora H ficam os barrancos.

 

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