Reforma agrária avança em Sergipe, mas 8 mil ainda estão sem terra
Nos últimos seis anos, cerca de 4,2 mil famílias foram assentadas em Sergipe, sendo 3 mil por ação do Governo Federal e 1,2 mil por iniciativa da administração estadual; "Há uma avaliação nacional que, na parte de desapropriação Dilma, está aquém do esperado, está lenta. A reforma agrária hoje no Brasil é como uma feijoada, mas sem o feijão. A presidente tem todos os ingredientes, mas está faltando o principal. Só é reforma agrária se houver desapropriação", critica o deputado João Daniel; ele ainda cobra uma política efetiva de Estado para minorar os efeitos das longas estiagens
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Valter Lima, do Sergipe 247 – Nos últimos seis anos, cerca de 4,2 mil famílias foram assentadas em Sergipe – 3 mil por ação do Governo Federal e 1,2 mil por iniciativa da administração estadual. O número é significativo, mas se apequena diante da demanda existente. Mais de 8 mil famílias ainda aguardam o direito do acesso à terra. Muitas delas, há mais de dez anos.
Para o deputado estadual João Daniel (PT), a reforma agrária no Estado “tem conseguido vários avanços e conquistas”, mas, ressalta ele, “a luta pela terra continua viva, pois é necessário um processo amplo de acesso democrático”. O parlamentar avalia que o Governo da presidente Dilma Rousseff (PT) precisa elevar o índice de desapropriações.
“Há uma avaliação nacional que, na parte de desapropriação Dilma, está aquém do esperado, está lenta. Ela melhorou na área de habitação e agroindústria. E isso é importante para os assentamentos, mas avalio o momento com a seguinte comparação: a reforma agrária hoje no Brasil é como uma feijoada, mas sem o feijão. A presidente tem todos os ingredientes, mas está faltando o principal. Só é reforma agrária se houver desapropriação”, criticou.
João Daniel também avalia que diante da longa estiagem, as problemáticas de quem vive no semiárido se avolumam. O petista diz que o anúncio de ações do Governo Federal nesta semana foram positivos, mas não suficientes. Ele cobra a transformação das medidas emergenciais em política de Estado. “Precisamos fazer obras estruturantes, médias e grandes barragens, canais de irrigação, porque a água nós temos, mas falta um grande projeto. Está muito na área de emergência. Precisamos de uma política forte e estruturante”, avalia.
Na última quarta-feira (3), 43 famílias foram assentadas no município de Canindé, por iniciativa do Governo do Estado, que desapropriou a Fazenda Japão. “Vinham em uma luta de nove anos e graças ao programa de aquisição de casas do Governo do Estado em convênio com o Incra e o Governo Federal, conseguimos o assentamento”, comemorou João Daniel.
Foto: Marcelle Cristinne/ASN
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