Querem expulsar pessoas e atrair especulação, afirma urbanista sobre o centro de São Paulo

A urbanista Raquel Rolnik afirma que os governos do Estado de São Paulo e da prefeitura da capital vêm tentando há anos transformar o centro em um espaço definitivo de especulação imobiliária e, para isso, vêm cometendo violações de toda ordem, seja com a cracolândia, seja com a indiferença nas fiscalizações de segurança

Querem expulsar pessoas e atrair especulação, afirma urbanista sobre o centro de São Paulo
Querem expulsar pessoas e atrair especulação, afirma urbanista sobre o centro de São Paulo (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)


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247 – A urbanista Raquel Rolnik afirma que os governos do Estado de São Paulo e da prefeitura da capital vêm tentando há anos transformar o centro em um espaço definitivo de especulação imobiliária e, para isso, vêm cometendo violações de toda ordem, seja com a cracolândia, seja com a indiferença nas fiscalizações de segurança.

Leia trechos das respostas da urbanista ao site Vermelho:

“A história da moradia da população mais pobre e vulnerável na cidade de São Paulo é a história da transitoriedade permanente e deslocamentos sem parar. Nós já encontramos trabalhando no Observatório das Remoções pessoas que foram removidas dos lugares em que viviam, oito, dez, 12 vezes, pessoas que tiveram que se mudar uma vez porque não conseguiram pagar o aluguel, seja ele formal ou informal, e depois foram para uma ocupação, e essa ocupação sofreu uma reintegração de posse e tiveram que sair dessa ocupação reintegrada para ir para uma outra ocupação, para uma favela…E por quê? Porque quando houve atendimento – e na maior parte não houve atendimento nenhum – nenhuma pessoa, nenhuma política pública chegou ali para ver o que essas pessoas precisavam, o que elas necessitavam, quem eram elas.

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Quando isso aconteceu, colocaram o nome delas, o nome dessas famílias, num cadastro, como é o caso das remoções provocadas pela própria Prefeitura ou pelo Governo do Estado, por exemplo, como essas que continuamos assistindo, que estão acontecendo nos Campos Elíseos, na cracolândia.

Então, quando há um cadastro, há o nome numa lista, supostamente com 170 mil famílias que podem receber um atendimento futuro e, imediatamente, um bolsa-aluguel. O bolsa-aluguel de R$ 400 por mês é o verdadeiro combustível para novas ocupações – e entendendo ocupações tanto ocupações de prédios vazios na área central como ocupações de terrenos vazios, favelas nas extremas periferias, que é o que nós vemos explodindo em São Paulo hoje.”

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