Qual o projeto de governo de Amorim em Sergipe?
Estruturados e alinhados para conquistar o Governo do Estado em 2014, o agrupamento liderado por Edivan Amorim, que quer fazer do senador Eduardo Amorim, do PSC, o próximo chefe do Executivo de Sergipe, é claudicante na defesa de um projeto estratégico de ação governamental; até o momento, mostram habilidade sobrecomum para a disputa eleitoral, com o objetivo de assumir o poder, mas e depois?; o que pensa Eduardo Amorim para a Saúde, Educação, Segurança, Meio Ambiente e para os servidores públicos?
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Valter Lima, do Sergipe 247 – Em 2006, o então candidato do PT ao Governo de Sergipe, Marcelo Déda, foi eleito defendendo a bandeira da mudança. Diante de décadas sendo administrado por políticos de direita, Sergipe optou por alterar a rota e dar uma oportunidade à esquerda. Em 2010, com discurso de aprofundamento das mudanças, Déda se reelegeu, mas com apoio de partidos conservadores liderados pelos irmãos Edivan e Eduardo Amorim.
Agora, com a aproximação do pleito eleitoral de 2014, quando Déda não poderá mais se reeleger, a disputa pela sucessão dele poderá ter, no discurso e no marketing da campanha, o mesmo discurso das mudanças. Mas, ao contrário do passado, desta vez, com um candidato de direita.
Pelo menos, é o que dá para subentender do que tem dito o deputado federal André Moura (PSC), porta-voz dos irmãos Amorim. Ele tem falado, inclusive, em união das oposições pelo melhor de Sergipe, numa tentativa (que dificilmente se tornará exitosa) de ter o prefeito João Alves Filho (DEM) no mesmo palanque do senador Eduardo Amorim.
Aliados de João, quando o demista estava no poder, depois aliados de Déda, quando o petista chegou ao poder e se reelegeu, e agora na oposição, com o único objetivo de chegar, protagonistas, ao poder, o agrupamento liderado por Edivan Amorim, formado por uma miscelânea de uma dezena de siglas, não possui um projeto estratégico de Governo.
Não se sabe, por exemplo, que teses o grupo defende para as políticas públicas, para as questões estruturais, para a Saúde, para a Educação, para o Meio Ambiente e para a Segurança Pública, só para citar os temas mais relevantes. Até o momento, não se percebeu, na diária presença dos políticos liderados por Amorim no rádio, o que eles defendem efetivamente como contraponto ao que está posto hoje no Estado.
É até mesmo contrassenso para os Amorim quando dão sustentação ao Governo Federal do PT e se colocam como os mais ferrenhos opositores do Governo Estadual de mesmo partido, sendo que as teses que embasam as duas administrações são iguais. A verdade é que o agrupamento dança conforme a valsa que está sendo tocada, sem qualquer constrangimento.
Neste contexto, dificilmente, uma candidatura do PSC poderá se revestir de caráter mudancista. Primeiro, porque este discurso sempre esteve – e está até hoje – muito atrelado aos partidos de esquerda. E o PSC é de extrema direita, tanto que atrai aos seus quadros pastores, que levantam bandeiras contra os direitos de minorias, como homossexuais, e é favorável à redução da maioridade penal, tema muito polêmico, que destoa da defesa dos direitos humanos, assunto caro aos partidos da esquerda, só para citar dois exemplos.
Da passagem de Eduardo pelo Governo, como secretário da Saúde na última gestão de João Alves Filho, não dá para lembrar objetivamente de nenhuma ação que tenha demonstrando características mais claras do que se fará pelas mãos do hoje senador, caso ele seja um governador. Se ele eleito, ele será o primeiro do PSC a administração um Estado. O partido já colocou, inclusive, Sergipe como prioridade na eleição de 2014, o que levará a sigla a não apoiar Dilma Rousseff (PT) na disputa pela reeleição.
No site do PSC Nacional, há indícios claudicantes do que pensa o partido – e que regras deve seguir. Veja: “o Partido Social Cristão está sustentado na Doutrina Social Cristã, inspirado nos valores e propósitos do Cristianismo, em busca de uma sociedade justa, solidária e fraterna. O Cristianismo, mais do que uma religião, representa para o PSC um estado de espírito que não segrega, não exclui nem discrimina. Aceita a todos, independentemente de credo, cor, raça, ideologia, sexo, condição social, política, econômica ou financeira”. Ou seja, permite ao partido gravitar para o lado que melhor lhe convier.
Embora não seja ainda o momento de se colocar como candidato, o senador Eduardo Amorim precisa mostrar melhor que modelo de Estado ele defende, que estrutura de governo ele deseja manter e que prioridades serão basilares ao seu programa de Governo.
Em Sergipe, mesmo com uma capilaridade substancial, administrando dezenas de prefeituras, não se verifica uma unidade de pensamento do modelo de administração do agrupamento liderado por Edivan Amorim. Então, já está na hora da sociedade cobrar de um grupo tão numeroso – e que se estende por todos os municípios – que modo de gestão defende e como pretende lidar com o setor público estadual. Ser candidato a governador exige, antes de qualquer coisa, teses firmes e consolidadas, que se revelem em discursos e atitudes.
Atualmente, o PSC é um partido a reboque do Governo Federal, tendo mais força política dentro de Sergipe, mas pequeno em âmbito nacional. Embora até vote contra o Governo Dilma em algumas situações, não tem um perfil programático definido e claro. Os sergipanos já sabiam o que esperar de Déda, João, Albano, Valadares – figuras políticas que chegaram ao maior posto do Estado –, mas não conhecem objetivamente o que fará Eduardo Amorim, caso alcance êxito em 2014.
Os Amorim conhecem os métodos e as regras do jogo da política e sabem se relacionar muito bem com grupos pragmáticos. Querem assumir o Governo com uma única perspectiva: a chegada ao poder e a sua manutenção nele. Mas é ausente neles uma visão estratégica. E isto, para além de querelas ideológicas, é sim muito importante para saber até onde o gestor pretende ir com sua administração e que efeitos positivos poderá causar na comunidade. Até o momento, falta essa informação tão necessária sobre o projeto de Eduardo Amorim.
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