PT vulgarizou a CPI do Cachoeira, opina Veja
Texto editorializado da revista diz que o ex-presidente Lula mandou criar a comissão parlamentar de inquérito sob o pretexto de investigar as relações do contraventor com políticos e empresas públicas e privadas, mas o objetivo real era tumultuar o julgamento da AP 470, o Mensalão
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Goiás247 - O fim inusitado da CPI do Cachoeira, que terminou com um relatório de duas páginas, faz com que a comissão fosse exposta a todo tipo de julgamento. E dá ainda mais subsídio para quem desde antes qualificava a CPI como um instrumento de vingança do PT. Numa espécie de editorial, a revista Veja, na edição desta semana, faz um breve resumo de tudo que acontece no Congresso em torno da CPI. O texto assinado por Robson Bonin e intitulado de “O fim da farsa” mostra, na opinião da revista, como o PT não conseguiu sucesso em seu objetivo desviar o foco do mensalão e como o Congresso protagonizou mais um vexame.
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A matéria diz que o ex-presidente Lula mandou criar a CPI sob o pretexto de “investigar as relações do contraventor Carlinhos Cachoeira com políticos e empresas públicas e privadas”. Veja entende que a por trás desta intenção havia outro objetivo e que foi cumprido. Os petistas usariam a CPI para tumultuar o julgamento do mensalão. “Durante oito meses, os tarefeiros do partido tentaram constranger ministros do Supremo, distribuíram ataques infundados ao procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, e miraram jornalistas e órgãos de imprensa responsáveis pela revelação do maior escândalo de corrupção da história”, diz o texto.
A reportagem lembra que a CPI começou a perder o rumo e se complicar logo nas primeiras semanas quando se descobriu os tentáculos da Delta. A empresa operava um caixa milionário de empresas-fantasma. “De uma empresa de porte médio, em 2001, ela se transformou na maior e principal prestadora de serviços ao governo federal, chegando a faturar 1 bilhão de reais por ano”.
Se seguisse por este rumo fatalmente o PT e políticos ligados ao partido ficariam no centro das investigações. Afinal, a empreiteira ganhou força no governo Lula e era uma das que mais recebia recursos do governo federal. Em Goiás mesmo, a Delta foi responsável por contratos milionários em Goiânia (na gestão de Iris Rezende, do PMDB) e em Catalão (na gestão de Adib Elias, também do PMDB).
Por consequência, apareceram nas investigações políticos do PT, como o deputado federal Ruben Otoni e o prefeito de Palmas, Raul Filho. Também o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), passou a ocupar as manchetes onde deveriam constar apenas tucanos. Foi mais um duro golpe na CPI, segundo Veja.
Enquanto isso, no Supremo Tribunal Federal (STF), os ministros condenavam os acusados na AP 470, o Mensalão. Para piorar, o texto lembra que após deixar a prisão em Aparecida de Goiânia, Cachoeira ameaçou fazer revelações sobre petistas envolvidos na CPI. Ele disse que era o “Garganta Profunda do PT”, numa alusão ao caso norte-americano de Watergate.
Desfecho
Não bastassem as derrapadas ao longo dos oito meses, diz a revista, o PT ainda preparava algo inusitado para o final. Teleguiado por Lula, o relator Odair Cunha produziu um relatório com objetivo de constranger o procurador geral da República, Roberto Gurgel. No entanto, a pressão foi grande da mídia, de deputados e até mesmo de aliados. O relatório não prosperou. Odair fez mudanças, recuou, mas já era tarde. A credibilidade já havia se esvaído. “A manobra fracassou. Como não foi possível executar a vingança prometida, a CPI, para os petistas, não tinha mais razão de ser. O relatório apresentado por Cunha, mesmo desidratado de algumas malandragens, foi rejeitado”, diz o texto de Veja.
Por fim, o a matéria da revista diz que o PT vulgarizou a CPI, um instrumento importante do regime democrático.
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