PT está pronto para levar Perillo para a CPI

Em contrapartida, partido desistiu de levar à comissão o procurador-geral da República Roberto Gurgel e o jornalista Policarpo Júnior, da ‘Veja’, temendo represálias dos filiados da base governista que atuam de forma independente

PT está pronto para levar Perillo para a CPI
PT está pronto para levar Perillo para a CPI (Foto: Elza fiúza/AGÊNCIA BRASIL)


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247 – O PT já teria a maioria dos votos para levar o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, à CPI do Cachoeira. Ao mesmo tempo, opera para proteger Queiroz, do DF, e Sérgio Cabral, do Rio. Quanto ao procurador-geral da República Roberto Gurgel e o jornalista Policarpo Júnior, da ‘Veja’, teria desistido de pressionar suas convocações, temendo represálias do chamado ‘Grupo dos 12’, filiados a partidos da base governista que atuam de forma independente.

Leia o artigo de Josias de Souza:

O governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, está prestes a se tornar o primeiro figurão a ser arrastado para o banco da CPI do Cachoeira. Articulando-se com seus aliados da banda governista da comissão, o PT já contabiliza maioria de votos para aprovar o requerimento de convocação do rival do PSDB.

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Prevista inicialmente para 5 de junho, a votação foi antecipada para a próxima terça-feira (29). Assegurado o destino de Perillo, o petismo opera nos subterrâneos da CPI para assegurar proteção a outros dois governadores: o petê Agnelo Queiroz, do DF, e o pemedebê Sérgio Cabral, do Rio. São grandes as chances de êxito.

De resto, o PT deve ceder à oposição a quebra dos sigilos bancário e fiscal da matriz da Delta Construções, sediada no Rio. Vai “entregar” a empreiteira por pressão, não por opção. O escudo à campeã das obras do PAC foi trincado pelos fatos. O partido de Dilma Rousseff constatou que, resistindo, flertaria com a derrota.

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Integram a CPI na condição de membros titulares 32 congressistas. A oposição ocupa na comissão apenas seis cadeiras. Formou-se, porém, um agrupamento suprapartidário que, dependendo do tema a ser votado, ameaça a maioria governista.

Chamado de ‘Grupo dos 12’, esse pedaço da CPI incorpora à meia dúzia de oposicionistas parlamentares que, embora filiados a partidos do condomínio governista, atuam de forma independente. Gente como Pedro Taques e Miro Teixeira, do PDT; Ricardo Ferraço e Jarbas Vasconcelos, do PMDB; e Kátia Abreu, do PSD.

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Deve-se sobretudo à ação desse grupo o recuo do PT em relação a dois de seus alvos. Os petistas desejavam levar à CPI o procurador-geral da República Roberto Gurgel e o jornalista Policarpo Júnior, da ‘Veja’. Desistiu depois de perceber que a turma dos ‘12’, contrária às convocações, obteria facilmente os quatro votos que lhe faltam para atingir a maioria. Dá-se o mesmo em relação à Delta.

Se dependesse da vontade do PT, expressa no plano de trabalho do relator petista Odair Cunha, a “investigação” da CPI ficaria restritra aos escritórios da Delta no Centro-Oeste. Descobriu-se, porém, que Cláudio Abreu, o ex-diretor da empreiteira nessa região, dispunha de procuração para movimentar as contas bancárias da matriz. E a tática da blindagem foi para o beleléu.

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No caso dos governadores, o ‘Grupo dos 12’ pega em lanças para convocar os três personagens que se encontram na grelha. “Queremos investigar tudo e todos”, diz Rubens Bueno, líder do PPS. “Não compactuo com acordos de proteção de amigos”, ecoa Pedro Taques.
Quer dizer: na hora de votar o requerimento de convocação de Perillo, os votos do bloco dos ’12′ vão se somar na planilha aos votos do PT, do PMDB e Cia.. No instante em que forem apreciados os requerimentos de convocação de Agnelo e Cabral, o PT e seus aliados deixarão a turma da dúzia falando sozinha.

Líder do PSDB e membro da CPI, o senador Alvaro Dias esgrime a tese segundo a qual a convocação dos governadores deveria ser votada em bloco. “Defendemos que venham os três. Vai ficar muito estranho convocar o Marconi e não convocar o Agnelo e o Cabral. Não faz sentido.” Com ou sem nexo, o relator Odair Cunha e o presidente Vital do Rêgo (PMDB-PB), senhores do rito na CPI, não trabalham senão com a ideia de votar os requerimentos dos governadores separadamente.

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Há duas semanas, numa reunião com o generalato tucano, na residência brasiliense do senador Aécio Neves, Perillo reiterara sua disposição de comparecer à CPI. Mas encarecera aos companheiros de partido que zelassem para que ele não fosse o único governador a depor. Longe dos refletores, operadores do PSDB tentaram firmar uma aliança com o PMDB de Cabral, apartando-o do PT.

Diferentemente de Agnelo, Cabral dispõe de bons amigos no PSDB. O próprio Aécio mantém com ele uma relação que vem da juventude. Tentou-se chegar a um entendimento do tipo ‘vocês são nossos e nós somos seus’. Algo que livrasse Perillo e Cabral da CPI. Não colou.
Para os partidários de Cabral, a situação dele não é comparável à de Perillo. O governador do Rio não foi nem citado nos inquéritos da PF.

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Sua voz não soou em nenhum grampo. Entendendo-se com o tucanato, além de azedar suas relações com o PT, o PMDB passaria a impressão de que Cabral precisa de proteção. Preferiu se abster.

“Não estamos preopcupados com o Cabral”, diz Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB. “Até o momento, ele não passa nem perto da CPI. Não há uma denúncia, uma gravação, um malfeito. Nada atingiu o Cabral. Não existe essa história de pegar o Perillo e também o Cabral. Cada coisa é uma coisa. Se houvesse acusação contra o Cabral, ele seria convocado com o nosso voto. Mas não há nada.”

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O PT sustenta discurso análogo para justificar a exclusão de Agnelo. Alega-se que Cachoeira tentou chegar ao governador do DF. Mas não teria passado dos arredores. Nessa versão, sobrou apenas para Perillo.

Por mal dos pecados, se vingar a tática de seus antagonistas, o governador de Goiás será intimado pela CPI com os votos do próprio PSDB. O partido é signatário de um dos requerimentos que pedem a convocação de Perillo. Como votar contra? Para usar a expressão de Álvaro Dias, ficaria “muito estanho.” 

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