PT de Sergipe acerta com caravanas regionais
PT espera dar novo gás aos seus militantes e incutir neles o papel, sempre marcante na sigla, de mobilização; lideranças do partido querem acabar com a acomodação da maioria e evitar conformação; esperam que com estas reuniões regionais, os petistas sintam-se motivados a trabalhar por seus candidatos em 2014, já que este será o primeiro pleito do novo século que a agremiação não protagonizará no Estado; caravanas se modelam fundamentais para inspirar nos militantes a necessidade de manter e/ou ampliar os espaços de poder
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Valter Lima, do Sergipe 247 – O Partido dos Trabalhadores sabe fazer a construção ideológica e política como nenhuma outra legenda brasileira. Não é a toa que administra o Brasil há dez anos. E dá sinais vigorosos de que tem condições de se manter no poder por mais tempo. Sofre o desgaste natural, mas tem fôlego para gerar novas lideranças (Dilma Rousseff e Fernando Haddad são os exemplos mais vistosos) e conta com avaliação positiva diante da sociedade.
É o partido com o qual as pessoas mais se identificam (em pesquisa recente, 24% dos brasileiros declararam preferência pelo partido, contra minguados 5% do PSDB, o “maior” adversário ainda do PT), mesmo que enfrente muitos problemas. No entanto, soube se reinventar quando se viu em situações difíceis, como o escandaloso e midiático mensalão, que, para outras agremiações, poderia ser o fim.
Em Sergipe, o partido se viu, desde 2000, numa linha ascendente. Fez de Marcelo Déda prefeito de Aracaju por duas vezes, e governador do Estado, também por duas vezes. Todas as vitórias em primeiro turno. Agora, faltando menos de 20 meses para deixar a principal cadeira política do Estado e enfrentando uma rejeição considerável, diante de adversidades persistentes na administração estadual, como a crescente falta de segurança e os gargalos da saúde, o PT precisa encontrar novo caminho.
Para tanto, tem realizado as caravanas regionais pelo interior do Estado, que estão se revelando um acerto grande da sigla. Nestes encontros, que já ocorreram em Itabaiana, Estância, Propriá e Nossa Senhora da Glória, o partido, através de suas lideranças (os deputados federais Márcio Macêdo e Rogério Carvalho são os principais) discute o futuro da sigla e organiza-a para o Processo de Eleições Internas, o PED, que ocorrerá ainda neste ano, quando serão escolhidos seu novo presidente estadual e os presidentes dos diretórios municipais.
Nestas reuniões regionais, que congregam também petistas de cidades vizinhas a que sedia o evento, as lideranças trabalham pela formação política de seus filiados e fazem uma defesa aguerrida dos governos Federal e Estadual, além de tentar dar homogeneidade ao discurso e fazer uma reflexão de acertos e erros dos últimos anos. A atitude é positiva, pois visa a dar ao PT a estabilidade necessária para enfrentar os pleitos futuros – tanto o de 2014 quanto o de 2016. Sem planejamento e unidade, a legenda sabe que pode ser engolida pelos outros grupos políticos sergipanos.
Com as caravanas, o PT espera dar novo gás aos seus militantes e incutir neles o papel, sempre marcante na sigla, de mobilização. As lideranças do partido querem acabar com a acomodação da maioria e evitar conformação. Esperam que com estas reuniões regionais, os petistas sintam-se motivados a trabalhar por seus candidatos em 2014, já que este será o primeiro pleito do novo século que a agremiação não protagonizará no Estado. Por isto, estas caravanas se modelam fundamentais para inspirar nos militantes a necessidade de manter e/ou ampliar os espaços de poder.
Atualmente, o PT de Sergipe detém duas cadeiras na Câmara Federal (Márcio e Rogério) e quatro no Legislativo Estadual (Ana Lúcia, Conceição, Gualberto e João Daniel). Quer disputar o Senado (Déda é, até o momento, o nome do grupo) e manter-se forte dentro da administração, caso o vice-governador Jackson Barreto (PMDB) consiga se tornar o titular do Governo. A tarefa é árdua, difícil, mas não impossível para o partido que melhor sabe mobilizar.
No entanto, o PT sabe que estará diante de um grupo adversário forte (o liderado por Edivan e Eduardo Amorim) e enfrentando o desgaste natural do longo tempo no poder. É nisto que as caravanas devem atuam melhor: é através delas que o partido quer construir novo discurso e manter-se forte no Estado. Da teoria à prática, sabe-se, o caminho é longo e tortuoso, mas as caravanas são um bom começo.
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