PSDB resgata passado e põe pressão sobre Cunha

Partido municia bancada na CPI do Cachoeira com informações sobre postura considerada partidária do relator Odair Cunha; ele é acusado de proteger seu partido e perseguir quadros como o governador Marconi Perillo, movimento que pode resultar na confecção de dois relatórios; tucanos ressuscitam escândalo das passagens aéreas

PSDB resgata passado e põe pressão sobre Cunha
PSDB resgata passado e põe pressão sobre Cunha (Foto: Edição/247)


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O PSDB está aumentado a pressão sobre o deputado federal Odair Cunha (PT-MG), relator da CPMI do Cachoeira no Congresso, acusando-o de conduzir a comissão para atingir objetivos partidários. Estrategicamente, os tucanos têm procurado expor as contradições do PT, anunciado que quem mais tem a temer com inquéritos e julgamentos que ocorrem no país é o próprio partido de Lula. Em confronto direto com Odair, o tucanato lança mão da acusação de que ele pagou turismo internacional para amigos com cota de passagens aéreas da Câmara dos Deputados.

A oposição na CPI estranha que Odair, ao mesmo tempo em que elogia o desempenho da Polícia Federal, é obrigado a fugir de qualquer insinuação de que o PT está incluso nas investigações e que seu partido. O caso mais rumoroso citado pelo PSDB é o chamado 'Dossiê Cuiabá', que revelaria o resgate em 2012 da tática petista de tentar destruir a reputação dos adversários.

O dossiê reuniu documentos falsos para prejudicar Geraldo Alckmin e José Serra, em 2006. Na época, candidatos à presidência da República e ao governo de São Paulo, eles eram os alvos do partido. Hoje, essa estratégia teria como alvo o governador de Goiás, Marconi Perillo, um dos políticos que denunciou o escândalo do mensalão. Na época, para azar do grupo, a Polícia Federal agiu rapidamente. Mesmo assim, existem questionamentos de que o governo tentou de todas as formas proteger os petistas.

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Turismo

O tucanato acusa Odair de realizar turismo internacional às expensas da Câmara Federal e de custear com sua cota passagens aéreas a amigos. Integrante da Mesa Diretora na época do episódio, Odair usou sua cota para atender ao amigo Geraldo Silva, que viajou de Buenos Aires ao Rio de Janeiro. Em 2008, o relator emitiu duas outras passagens para o ex-ministro Nilmário Miranda. O PSDB vai pedir uma investigação na Câmara, pois suspeita que podem ter ocorrido outras situações semelhantes ainda não detectadas.

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Odair não é o único a fazer turismo às custas do Erário. João Paulo Cunha (PT-SP) e Inocêncio Oliveira (PR-PE), ex-presidentes da Câmara, também desfrutaram das passagens 'públicas'. Em julho de 2008, no auge das apurações do escândalo do Mensalão, em que está envolvido, Cunha, a mulher e a filha foram esquiar em Bariloche, na Argentina.

Inocêncio usou passagens para a mulher, duas filhas e neta realizarem um 'tour' por Nova York e Europa, entre agosto e dezembro de 2007. Já Leandro Sampaio, o suplente de terceiro-secretário, teria utilizado passagens para financiar as viagens de familiares ao Chile, Buenos Aires e dar uma escapadinha até a Alemanha.

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Dois relatórios

A condução dos trabalhos por Odair está perto de colapsar a CPI. Seus movimentos internos e externos ameaçam rachar politicamente a já dividida comissão, a ponto de já se projetarem a confecção de dois relatórios finais: um dele e outro de integrantes independentes e da oposição ao governo. A previsão é tema de reportagem de página inteira, na edição de ontem, do jornal Valor Econômico. "Dos mais de 130 políticos de todas as esferas políticas que a CPI do Banestado supunha alvejar, nenhum foi pego", registra o jornalista Caio Junqueira. "A CPI do Cachoeira pode seguir o mesmo caminho, com seus dois relatórios".

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A comparação entre as duas CPIs faz todo o sentido. Com uma formação pesada de tucanos e petistas, durante as investigações feitas entre 2003 e 2004, a CPI do Banestado tinha o objetivo de investigar esquemas ilegais de remessa de dinheiro para o exterior, num trabalho que levantou centenas de suspeitos de ilegalidades em mais de 412 mil operações financeiras via o Banco do Estado do Paraná. Ao final, foram apresentados dois relatórios, um dos políticos ligados ao PT, e outro representativo dos tucanos. O certo é que ninguém foi preso.

Procurado por 247 em Brasília, o relator Odair Cunha ainda não respondeu aos pedidos de entrevista.

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