PSDB é um partido sem identidade em Sergipe
Partido se divide entre os interesses do DEM (de João Alves Filho), através de José Carlos Machado, e do PTB/PSC (de Edivan e Eduardo Amorim), através de Antônio Neto; o que se vê hoje é fruto de um longo período de desmantelamento da sigla no Estado, processo iniciado em 2003, quando Albano Franco, então nome mais significativo do tucanato local, encerrou sua passagem de oito anos pelo Governo; desde então, PSDB não conseguiu se colocar novamente como um partido forte em Sergipe
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Valter Lima, do Sergipe 247 – O recente impasse dentro do PSDB sergipano, entre o seu vice-presidente, Antônio Neto, e o seu secretário-geral, José Carlos Machado (vice-prefeito de Aracaju), sobre a definição antecipada dos apoios eleitorais de 2014 só reforçam uma característica dos tucanos no Estado: eles não têm qualquer laço comum, estão sem identidade.
O PSDB passou em Sergipe por um longo processo de esvaziamento. E isto ocorreu desde o instante em que o ex-governador Albano Franco deixou a administração estadual em 31 de dezembro de 2002. A partir de então, a legenda não teve qualquer novo momento áureo no Estado. Apenas sobreviveu ao tempo – em 2006, elegeu o mesmo Albano como deputado federal, e em 2008 aliou-se ao ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PC do B) em Aracaju, quando passou a integrar a administração municipal e elegeu uma vereadora na capital (Miriam Ribeiro).
Em 2010, contra a vontade da direção estadual, o PSDB entrou, via intervenção da Executiva Nacional, na campanha de João Alves Filho ao Governo (hoje, prefeito de Aracaju). Só para garantir tempo de rádio e TV. Albano, à época candidato ao Senado, optou por uma candidatura independente. Não se elegeu. Foi o fim da linha do ex-governador na sigla.
Desde então, o partido passou para as mãos de José Carlos Machado, que desde sempre foi filiado ao DEM, e para as mãos do empresário Adierson Monteiro, que já era do partido e chegou, inclusive, a ser indicado presidente da sigla, mas que depois optou por indicar o filho, Antônio Neto, para a vice-presidência – o jovem é totalmente ligado ao grupo liderado por Edivan (PTB) e Eduardo Amorim (PSC). O presidente do partido no Estado, atualmente, é Roberto Góis, que pouco influencia no jogo político.
Ou seja, o PSDB local é uma junção mal acabada do DEM de João Alves Filho e José Carlos Machado e do grupo dos Amorim. Não tem projeto de fortalecimento e falta identificação com as teses que fundamentam o projeto de Aécio Neves, José Serra, Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso, figuras mais importantes da sigla. Tornou-se apenas mais uma sigla em Sergipe, que se mantém relevante, diante da sua presença nacional, que garante tempo robusto de rádio e TV na propaganda eleitoral, e fundo partidário
Internamente, vive hoje a queda de braço dos interesses de duas prováveis candidaturas ao Governo do Estado em 2014 – a do senador Eduardo Amorim e a do prefeito João Alves Filho. A Antônio Neto interessa o apoio a Amorim, em troca de base para seu projeto de ser deputado federal. A Machado é mais interessante manter-se com seu amigo de décadas João Alves Filho, que caso decida-se por uma nova candidatura ao Governo dará ao PSDB o comando da prefeitura de Aracaju. A reboque de projetos mais individuais do que coletivos, a sigla dos tucanos em Sergipe caminha para o ostracismo ideológico e representativo.
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